Lula fala em País destruído; Flávio traça perfil próprio na TV
No primeiro dia do horário eleitoral gratuito na TV, Lula fala em 'país destruído' após Bolsonaro, enquanto Flávio Bolsonaro evita embate direto e aposta em perfil pessoal.
O primeiro dia do horário eleitoral gratuito na televisão expôs estratégias opostas. A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva falou em "país destruído" após o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e lançou o bordão de que o Brasil "está pronto para muito mais". A propaganda busca vender trunfos do atual mandato, como a menor taxa de desemprego da série histórica e operações contra o crime organizado. O discurso repete que será necessário "fazer muito mais".
Já a campanha de Flávio Bolsonaro na TV e no rádio menciona Lula diretamente apenas no começo. "Ele vai culpar os outros e vai dizer que tudo melhorou. Vai ter muita cena bonita", declarou o candidato pelo Partido Liberal (PL). Fora isso, nenhuma outra menção direta ao atual presidente. A maior parte do tempo na TV é dedicada ao apelo ao público feminino. Há ainda a tentativa de traçar um perfil pessoal do senador, com destaque para a "formação cristã", a formação acadêmica e passagens pelo Congresso. O ex-presidente Jair Bolsonaro é mencionado brevemente.
Na campanha de Lula, diferente do rádio, os primeiros minutos na TV mencionam o pedido de dinheiro feito por Flávio ao banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. O caso está sob investigação. Também são citadas as investigações sobre o senador, como o caso das 'rachadinhas', em que ele foi denunciado em 2020 pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por organização criminosa e lavagem de dinheiro. As provas foram anuladas porque os tribunais entenderam que Flávio tinha direito a foro privilegiado. Esse trecho sobre as acusações só aparece no final da propaganda de rádio.
No mesmo dia, o candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, reforçou sua oposição a Lula. Sem menção direta a Flávio Bolsonaro, lançou o bordão "tem muito para mostrar e nada a esconder". Já Augusto Cury (Avante), em 30 segundos, lançou o bordão "Não tem cura sem escuta", com imagens que sugerem um cenário conturbado na política brasileira.
A leitura fria dos números e das estratégias aponta para uma disputa de narrativas. Enquanto Lula foca em herança e realizações, Flávio tenta construir imagem própria, evitando o confronto direto. O eleitor que acompanha o horário eleitoral gratuito precisa observar, além dos bordões, o que cada campanha escolheu omitir.