Economia

UE suspende importação de carne brasileira a partir de quinta

ResumoUnião Europeia suspenderá, a partir de quinta-feira, a importação de carne bovina e de aves de criação do Brasil. A Comissão Europeia condiciona a retomada das compras à apresentação de garantias sanitárias adicionais pelo governo brasileiro. A medida afeta diretamente exportadores nacionais e exige resposta formal do país para reverter a decisão.

A União Europeia suspenderá, a partir de quinta-feira, a importação de carne bovina e de aves de criação do Brasil. A Comissão Europeia aguarda garantias sanitárias do país.

Aisha Mbeki
Aisha Mbeki Analista de economia internacional · 01 de setembro de 2026
UE suspende importação de carne brasileira a partir de quinta

A União Europeia vai suspender, a partir de quinta-feira, a importação de carne bovina e de aves de criação procedentes do Brasil. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (31) pela Comissão Europeia, que aguarda garantias do país sobre o cumprimento das normas sanitárias do bloco. A suspensão também abrange ovos e mel.

O motivo da medida é a falta de garantias suficientes sobre a conformidade dos produtos brasileiros com as regras europeias contra o uso abusivo de antibióticos na indústria pecuária. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil é um parceiro importante, e as autoridades trabalham de forma construtiva para assegurar a conformidade. Uma porta-voz do Executivo europeu afirmou à AFP que, uma vez demonstrada a conformidade, as exportações para a UE poderão ser retomadas. Bruxelas, no entanto, não forneceu um calendário para a retomada.

No caso das aves e do mel, uma auditoria está em andamento e deve ser concluída na sexta-feira. Se o resultado for positivo e os países europeus derem sinal verde, as exportações de carne de aves podem voltar a ser autorizadas nas próximas semanas. Para a carne bovina, os prazos podem ser mais longos, devido à duração dos ciclos de produção das espécies envolvidas.

A decisão ocorre depois que a UE foi criticada pelo setor agrícola e pela França após assinar, em janeiro de 2026, um acordo de livre-comércio com o Mercosul. Em 2025, o Brasil era o segundo maior exportador de carne bovina para a UE, com mais de 92 mil toneladas, representando mais de 713 milhões de euros (R$ 4,29 bilhões).

As regras europeias proíbem o uso de antimicrobianos para promover o crescimento ou aumentar a produtividade dos animais, e também o tratamento com antimicrobianos reservados para infecções humanas. A medida faz parte de uma política para combater a resistência dos microrganismos aos medicamentos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as superbactérias resistentes aos antimicrobianos são responsáveis por mais de um milhão de mortes por ano.

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