Vale desacelera mega hubs no Oriente Médio por guerra no Irã
A Vale desacelerou seus projetos de mega hubs no Oriente Médio por causa da guerra no Irã. Presidente da companhia, Gustavo Pimenta, detalhou a decisão em evento da S&P.
Vale desacelera projetos de mega hubs no Oriente Médio diante da guerra no Irã
A Vale (VALE3) desacelerou seus projetos para o desenvolvimento de complexos industriais, os chamados mega hubs, no Oriente Médio, em função da guerra no Irã. A informação foi confirmada pelo presidente da companhia, Gustavo Pimenta, nesta terça-feira, durante evento da S&P, no Rio de Janeiro.
Os mega hubs são complexos industriais que visam a fabricação de produtos de minério de ferro de baixo carbono para a indústria siderúrgica. A empresa assinou, nos últimos anos, acordos com clientes, buscando soluções para reduzir as emissões da siderurgia.
Por que a Vale desacelerou os projetos no Oriente Médio?
A guerra no Irã é o principal motivo da desaceleração. "Com a guerra, os projetos seguem sendo avaliados e discutidos, mas eles desaceleraram", afirmou Pimenta, a jornalistas. A empresa avalia o andamento do conflito e as condições que permitiriam a retomada dos projetos.
Apesar do cenário, o executivo mantém a avaliação positiva da região: "Do ponto de vista fundamental e estrutural, segue sendo uma região atrativa porque tem gás natural barato e uma questão logística muito importante".
Onde seriam instalados os mega hubs da Vale?
Três dos negócios fechados visavam a instalação desses complexos na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, para a produção de hot-briquetted iron (HBI), um insumo de baixo carbono para siderurgia.
No passado, a Vale chegou a prever iniciar as atividades no primeiro centro industrial no Oriente Médio em 2027. Agora, com a desaceleração, esse cronograma fica em aberto.
O impacto no mercado e a visão do banco
Com o anúncio, o Índice Bovespa reduziu consideravelmente o ritmo de ganho. Um banco mantém visão cautelosa para o curto prazo, mas acredita que os ventos sazonais devem começar a melhorar ao longo de agosto.
Descarbonização: caminho sem volta, diz Pimenta
Pimenta destacou que a descarbonização na indústria "é um caminho sem volta, ela vai ocorrer". Ele reconheceu que o processo terá "ups and downs", com subidas e descidas, e que questões como guerra impactam, mas a direção está dada: "a direção da descarbonização em função da questão de emissão de CO2 está dada, e para a Vale vai seguir sendo um posicionamento estratégico importante".
Minerais críticos: Vale defende incentivos, mas não atuará no refino
Pimenta também afirmou que tem participado de discussões com o governo federal para o desenvolvimento da indústria de minerais críticos no Brasil. Ele defende a criação de incentivos governamentais e mecanismos comerciais para o avanço do setor.
"Eu acho muito difícil (sem incentivos) porque o grau de eficiência que o mercado chinês conseguiu alcançar, inclusive com apoio do governo e subsídios, fez com que chegassem a um nível difícil de replicar", explicou. "As maiores plantas de refino hoje fora da China estão perdendo dinheiro, então você tem que criar um incentivo para essa cadeia."
A Vale, porém, não planeja atuar no refino de minerais críticos. O papel da companhia, segundo Pimenta, é ser "o melhor operador de 'upstream' possível". A empresa é uma importante produtora de níquel e cobre.
Perguntas Frequentes
A Vale cancelou os projetos de mega hubs?
Não. Os projetos seguem sendo avaliados e discutidos, mas foram desacelerados por causa da guerra no Irã.
Onde ficariam os mega hubs da Vale?
Os complexos seriam instalados na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, para produzir HBI.
Qual o impacto no Bovespa?
O Índice Bovespa reduziu consideravelmente o ritmo de ganho após o anúncio.
A Vale vai atuar no refino de minerais críticos?
Não. A companhia afirma que seu papel é ser a melhor operadora de upstream possível.
Quando a Vale previa iniciar as operações?
A previsão era iniciar as atividades no primeiro centro industrial no Oriente Médio em 2027.