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Comércio Agêntico no Brasil: IA avança, mas confiança do consumidor é o desafio

A inteligência artificial ganha espaço nas compras dos brasileiros: 72% já experimentaram ou aceitariam usar agentes de IA. Apesar do avanço rápido, a confiança total na tecnologia para concluir transações e pagamentos ainda é um desafio, segundo a pesquisa Agentic Commerce Repor

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 09 de outubro de 2026
Comércio Agêntico no Brasil: IA avança, mas confiança do consumidor é o desafio

A hesitação do consumidor brasileiro em relação à inteligência artificial nas compras está diminuindo. Em um ano, a porcentagem de pessoas que aceitariam ou já usaram um agente de IA para pesquisar, selecionar e comprar produtos saltou de 39% para 72%. Este dado, parte da pesquisa Agentic Commerce Report 2026, posiciona o Brasil em segundo lugar mundial, atrás apenas da China (86%).

O estudo, realizado pela Global Payments em parceria com a consultoria The Lantern, entrevistou 8.027 consumidores em sete países. No Brasil, 24% dos participantes já vivenciaram compras com agentes de IA, e outros 48% estão dispostos a adotá-las nos próximos 12 meses. O expressivo avanço brasileiro de 33 pontos percentuais foi o maior entre os mercados analisados, indicando uma transformação no comércio eletrônico.

No entanto, a confiança na IA para executar compras e pagamentos ainda enfrenta barreiras. Juan Pablo D'Antiochia, gerente-geral de Enterprise da Global Payments para a América Latina, explica que a questão central agora é identificar quais decisões os consumidores estão realmente dispostos a delegar. "As pessoas buscam conveniência, mas também querem manter o controle, especialmente na hora de pagar", afirma.

A confiança em agentes pessoais de IA no Brasil melhorou, com a nota média subindo de 3,18 para 3,80 em uma escala de um a cinco. O principal motor para essa mudança é a economia de tempo, especialmente em grandes centros urbanos, onde rotinas atribuladas impulsionam o interesse por ferramentas que assumam tarefas repetitivas, como a compra recorrente de produtos padronizados.

As preocupações dos brasileiros são claras: 50% temem pela segurança dos dados de pagamento, 45% pela privacidade e uso de informações pessoais, e 41% pela possibilidade de a IA tomar uma decisão errada. Adicionalmente, 36% se preocupam com a definição de responsabilidades em caso de falhas. Cerca de 41% dos consumidores desejam uma etapa de confirmação antes de qualquer compra automatizada, evidenciando que a disposição para usar a tecnologia não significa entrega de "cheque em branco".

O avanço do comércio agêntico também apresenta desafios para as empresas. A inteligência artificial tende a priorizar critérios objetivos como preço e prazo de entrega, o que pode diminuir a influência do relacionamento com a marca e as estratégias de marketing. Empresas com produtos facilmente substituíveis correm o risco de perder espaço na decisão de compra, ficando restritas à logística. A automação deve avançar mais rapidamente em transações repetitivas e padronizadas, enquanto compras que envolvem desejo ou experiência pessoal, como a de produtos de luxo, tendem a manter o atendimento e a interação humana como diferenciais.

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