Ações que batem Ibovespa em 5 anos: até 1.097% de alta
Entre 2020 e 2025, o Ibovespa subiu 35,4%, abaixo do CDI (68%). No mesmo período, ações do Mercantil do Brasil subiram 1.097% e da Embraer, 910%. Levantamento da Economatica mostra os papéis que multiplicaram o capital.
O erro de olhar só o Ibovespa
Quem mede o desempenho da Bolsa apenas pelo Ibovespa pode perder de vista o que realmente acontece com as ações individuais. Entre o fim de 2020 e o fim de 2025, o Ibovespa subiu 35,4%, desempenho que ficou abaixo do CDI acumulado no período (68%). No mesmo intervalo, os papéis do banco Mercantil do Brasil (BMEB4) valorizaram 1.097% e as ações da Embraer (EMBJ3), 910%. A distância entre o índice e os papéis vencedores, porém, não é exclusividade da janela recente: ela se repete e se amplia em prazos de 10 a 20 anos.
É o que mostra um levantamento da Economatica, feito a pedido do InfoMoney, com os retornos das ações listadas na B3 em quatro janelas encerradas em 31 de dezembro de 2025, todos considerando dividendos.
Retornos do Ibovespa em 10, 15 e 20 anos
Em 10 anos, o Ibovespa acumulou alta de 271,7%; em 15 anos, de 132,5%; e em 20 anos, de 381,6%. O retorno menor na janela de 15 anos pode parecer contraditório, mas reflete os pontos de partida: dezembro de 2010 marcou um topo de ciclo, enquanto 2015 terminou com o índice perto do fundo de um ciclo.
Em todas as janelas, um grupo de ações multiplicou o capital do investidor muitas vezes acima do índice. O caso mais extremo é o da Prio (PRIO3), a antiga PetroRio: alta de 16.833% em 10 anos, ou mais de 16.500 pontos percentuais acima do Ibovespa.
Por que o Ibovespa perde para o CDI e para algumas ações
Para Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, a explicação para a distância entre o índice e os papéis vencedores começa na própria construção do Ibovespa. Segundo Perri, o Ibovespa é uma média ponderada por tamanho e liquidez, com representatividade concentrada em alguns papéis de peso muito significativo. Alguns destes papéis pesados não tiveram bom desempenho no período, enquanto o CDI se tornou um custo de oportunidade altíssimo, dados os patamares elevados da Selic.
Já as empresas do topo do ranking, diz Perri, são casos específicos, favorecidos por histórias próprias de bom desempenho corporativo ou de seus mercados, ou ainda papéis pouco líquidos e excessivamente descontados que, em algum momento, foram descobertos pelos investidores.
Os dez papéis com maior retorno em cada janela
Boa parte do topo dos rankings é ocupada por papéis de baixa liquidez e fora do Ibovespa. É o caso de Banco Mercantil, Unipar, Aço Altona, Dexxos e Grazziotin. Para Perri, retornos dessa magnitude são, em grande parte, teóricos. Ele afirma que são apenas o preço de tela do fechamento de papéis que negociam muito pouco, e nos quais o investimento é bastante restrito justamente pelas condições de liquidez. Perri acrescenta que olhar apenas as janelas de ponta a ponta ignora o histórico de oscilações ao longo do período, que podem ser muito mais intensas nesses papéis do que em ações consolidadas.
Setores que se repetem entre as maiores altas
Um padrão se repete em todas as janelas: a presença recorrente de empresas de saneamento, energia elétrica e gás. Sabesp, Sanepar, Comgás, Equatorial, Energisa, Celesc e CEB aparecem entre as maiores altas em diferentes prazos.
Para Perri, isto não é coincidência. Ele afirma que é estrutural e, por isso mesmo, setores defensivos e de forte geração de caixa, com previsibilidade, estão sempre entre as preferências da Forum na Bolsa brasileira. O estrategista aponta três razões para a preferência. A primeira é que esses ativos são menos cíclicos, com receita pouco dependente do crescimento da economia. A segunda é a existência de barreiras de entrada importantes em setores já bastante consolidados, o que reduz concorrência e risco de disrupção. Por fim, a depender da janela, houve um período em que essas empresas estavam baratas e passaram por privatizações e ganhos de eficiência operacional, que se traduziram em lucros, margens e preços maiores.
É possível identificar casos como o da Prio com antecedência?
O maior retorno de todo o levantamento, os 16.833% da PRIO em 10 anos, pode fazer investidores se perguntarem se casos assim podem ser identificados com antecedência. Perri responde que a tese era identificável, mas a magnitude, não. Ele lembra que, em 2015, a então PetroRio era uma microcap que começou a comprar campos maduros dos quais a Petrobras estava se desfazendo, reduzindo o custo de extração. Para especialistas no setor, havia sinais importantes de crescimento de receita e ganho de margem. O tamanho da valorização, porém, surpreendeu até quem acompanhava a tese de perto. Na opinião de Perri, a magnitude desta melhora foi bastante surpreendente e, de forma geral, movimentos assim sempre são.
Perguntas Frequentes
O Ibovespa realmente perdeu para o CDI nos últimos cinco anos?
Sim. Entre o fim de 2020 e o fim de 2025, o Ibovespa subiu 35,4%, enquanto o CDI acumulou 68% no mesmo período.
Quais ações mais subiram nesse período de cinco anos?
As ações do Mercantil do Brasil (BMEB4) subiram 1.097% e as da Embraer (EMBJ3), 910%, segundo a Economatica.
Qual ação teve o maior retorno em 10 anos?
A Prio (PRIO3), antiga PetroRio, acumulou alta de 16.833% em 10 anos, o maior retorno do levantamento.
Por que o Ibovespa tem desempenho inferior ao de algumas ações individuais?
Segundo Bruno Perri, da Forum Investimentos, o Ibovespa é uma média ponderada por tamanho e liquidez, com peso concentrado em ações que tiveram desempenho fraco, enquanto o CDI se tornou um custo de oportunidade elevado com a Selic alta.
É possível prever ações que vão multiplicar o capital?
O estrategista Bruno Perri afirma que a tese pode ser identificável, mas a magnitude da valorização é difícil de prever, como no caso da Prio.
Quais setores aparecem com mais frequência entre as maiores altas?
Empresas de saneamento, energia elétrica e gás, como Sabesp, Sanepar, Comgás, Equatorial, Energisa, Celesc e CEB, aparecem recorrentemente.
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