Investimentos

Axia, Auren, Engie e Copel: quem se destacou no 2º tri?

ResumoAxia, Auren, Engie e Copel apresentaram desempenhos distintos no 2º trimestre de 2026. Axia registrou crescimento de 12% no Ebitda, Engie avançou 23% e Copel 21%, enquanto Auren enfrentou aumento de custos e maior alavancagem financeira. Os resultados evidenciam a resiliência operacional das três primeiras empresas, contrastando com os desafios de rentabilidade enfrentados por Auren no período.

No 2T26, Axia, Copel e Engie cresceram, mas Auren sofreu com custos e alavancagem. Ebitda da Axia subiu 12%, Engie avançou 23% e Copel 21%. Veja os números.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 06 de agosto de 2026
Jair Renan usará nome do pai para vaga na Câmara por SC

Se você acompanha o setor elétrico, sabe o quanto o segundo trimestre costuma separar quem opera bem de quem só empurra os custos. A temporada de resultados do 2T26 mostrou exatamente isso: Axia, Copel e Engie cresceram, enquanto a Auren seguiu pressionada por custos de energia e alavancagem elevada.

Resposta direta: No 2T26, a Axia liderou com Ebitda ajustado de R$ 6,4 bilhões (+12%), seguida pela Engie com R$ 2,05 bilhões (+23%) e Copel com R$ 1,61 bilhão (+21%). A Auren registrou Ebitda de R$ 749 milhões, queda de 15%, e prejuízo líquido de R$ 379 milhões.

Axia: o maior crescimento operacional do grupo

A Axia entregou o maior Ebitda ajustado entre as quatro: R$ 6,4 bilhões no trimestre, alta de 12% na comparação anual. O lucro líquido veio em R$ 1,7 bilhão, avanço de 35%.

Segundo o UBS BB, a companhia se beneficiou de um GSF mais favorável, preços mais altos no mercado livre e maiores ganhos com modulação. A margem de contribuição da geração subiu 17% em um ano, para R$ 3,7 bilhões.

Os preços médios dos contratos no ACL avançaram 24%, chegando a R$ 191/MWh, enquanto o GSF atingiu 99,2%, ante 95,6% um ano antes. Os investimentos somaram R$ 3,12 bilhões, 53% acima do mesmo período do ano passado.

Na transmissão, a contribuição ficou estável em R$ 4 bilhões, mas a empresa destinou R$ 1,1 bilhão para reforços e R$ 636 milhões para expansão, um dos maiores ciclos de investimento da década.

O destaque, porém, foi o caixa: R$ 3,7 bilhões disponíveis no trimestre, elevando o total do semestre para R$ 7,7 bilhões. XP e UBS BB veem esse recurso indo para dividendos e recompra de ações. A XP calcula um potencial de retorno de cerca de 5% só com os anúncios já feitos.

Copel: distribuidora puxa o resultado

A Copel apresentou Ebitda consolidado de R$ 1,61 bilhão, alta de 21%, com lucro líquido recorrente de R$ 645 milhões (+13%).

O destaque veio da distribuidora, com Ebitda de R$ 766 milhões, avanço de 33%, acima das projeções do UBS BB. O volume faturado cresceu 7,2%, ajudado pelas temperaturas elevadas no início do trimestre.

A XP destacou a margem bruta regulatória (Parcela B), que avançou cerca de 18%, com volumes 7% maiores. Já o braço de geração e transmissão registrou Ebitda de aproximadamente R$ 838 milhões, alta de 10%.

A geração hidrelétrica caiu 10,9%, refletindo desinvestimentos, e a eólica recuou 17,4% por causa do curtailment, que subiu de 15,7% para 23,7%. Os custos gerenciáveis recuaram 1%, segundo o UBS BB, um desempenho positivo em meio à inflação.

Engie: um dos trimestres mais fortes da safra

A Engie Brasil entregou Ebitda de R$ 2,05 bilhões, crescimento de 23%, acima das estimativas do UBS BB. O lucro líquido foi a R$ 1,05 bilhão, alta de 82,6%.

A geração total cresceu 6,5%, alcançando 9,5 TWh, puxada pela aquisição das hidrelétricas Santo Antônio do Jari e Cachoeira Caldeirão, pela entrada de novos projetos e por condições hidrológicas favoráveis.

A receita líquida também foi beneficiada, segundo o UBS BB, pelo aumento da geração.

Auren: custos ainda pesam

A Auren reportou Ebitda de R$ 749 milhões, em linha com as expectativas, mas o indicador recuou 15% na comparação anual. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 379 milhões.

UBS BB e XP apontam o mesmo problema: os custos de compra de energia avançaram cerca de 33% no ano. Os ganhos de modulação, de R$ 71 milhões, não foram suficientes para neutralizar a pressão da posição comprada e das despesas financeiras.

A alavancagem está em 5,3 vezes dívida líquida/Ebitda, e a empresa segue com desembolsos relevantes para o projeto Cajuína 3.

O que os analistas veem no setor

Os resultados reforçam uma divisão clara. Axia, Copel e Engie capturam benefícios de crescimento operacional, disciplina financeira e maior capacidade de remuneração ao acionista. A Auren depende de uma melhora no equilíbrio energético e de avanços estruturais para reduzir os efeitos do curtailment e dos custos.

Para quem investe, a leitura é prática: olhar além do Ebitda e acompanhar o caixa disponível e a alavancagem. como analisar resultados de elétricas o que é Ebitda e como usar

Perguntas Frequentes

Qual elétrica teve o maior Ebitda no 2T26?

A Axia, com R$ 6,4 bilhões, alta de 12% na comparação anual.

A Engie superou as expectativas?

Sim, o Ebitda de R$ 2,05 bilhões ficou acima das estimativas do UBS BB, com crescimento de 23%.

Por que a Auren teve prejuízo?

O prejuízo de R$ 379 milhões veio do aumento de 33% nos custos de compra de energia e da alavancagem elevada.

O que é GSF?

É o fator de ajuste que mede a garantia física de geração hidrelétrica. Quanto mais próximo de 100%, melhor para as geradoras.

Leia também

Publicidade