Ações de saúde 2T26: apostas de JPMorgan e Morgan Stanley
JPMorgan e Morgan Stanley traçam cenários para a temporada de resultados do 2T26 do setor de saúde. Enquanto o JPMorgan vê oportunidades seletivas, o Morgan Stanley espera um trimestre misto, porém resiliente. Conheça as principais apostas e riscos.
BradSaúde, Hypera e RD: as apostas do mercado em ações de saúde para temporada do 2T
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) do setor de saúde chega com dois cenários distintos. O JPMorgan vê oportunidades seletivas, enquanto o Morgan Stanley espera um trimestre misto, porém resiliente, com diferenças relevantes na qualidade dos resultados.
O que esperar das ações de saúde no 2T26?
A equipe do JPMorgan liderada por Joseph Giordano elegeu BradSaúde (SAUD3) e Hypera (HYPE3) como principais apostas, com cautela para Rede D'Or (RDOR3) e Blau (BLAU3). O trimestre deve ter ruídos por causa da Copa do Mundo e do calendário, reduzindo a ocupação hospitalar. Isso é negativo para operadoras de hospitais, mas positivo para seguradoras, com melhora da sinistralidade (MLR).
O cenário estrutural do setor de saúde
Apesar dos ruídos, o JPMorgan considera o cenário estrutural favorável para empresas de maior escala. O retorno sobre patrimônio (ROE) da indústria chegou a 16,1% em 2025, acima da média pré-pandemia de 10,5% e da taxa Selic. Isso foi impulsionado pela normalização da frequência de uso dos planos, políticas de subscrição mais rígidas, reajustes de preços, maior coparticipação, combate a fraudes e melhor gestão de sinistros.
Morgan Stanley: trimestre resiliente, mas com diferenças
O Morgan Stanley espera um trimestre resiliente para a maioria das companhias. Entre as operadoras, a SulAmérica, da Rede D'Or, deve manter sinistralidade favorável e rentabilidade sólida, mesmo com desaceleração no crescimento de beneficiários. A Hapvida (HAPV3) pode apresentar EBITDA e lucro líquido acima do consenso, mas principalmente por controle rígido de sinistros, não por redução estrutural da judicialização.
Prestadores de serviços e farmacêuticas
Para os prestadores, o trimestre deve ser mais fraco para a operação hospitalar da Rede D'Or, com menor ocupação. Procedimentos de alta complexidade e oncologia devem sustentar receita e margens. O Fleury (FLRY3) deve entregar resultados sólidos, enquanto a Dasa (DASA3) deve manter crescimento em Diagnósticos e melhorar o caixa. No varejo farmacêutico, a RD Saúde (RADL3) é o principal ponto positivo, impulsionada por vendas de GLP-1 e eficiência operacional.
BradSaúde: a principal escolha do JPMorgan
O JPMorgan mantém recomendação de overweight (compra) e preço-alvo de R$ 19 para dezembro de 2026. A empresa é a principal escolha do banco. Como ainda não divulgou balanço consolidado, há grande dispersão nas estimativas. O banco acredita que um lucro próximo de R$ 1 bilhão será bem recebido. A estimativa é de receita de R$ 11,6 bilhões, lucro líquido de R$ 1,08 bilhão e lucro por ação de R$ 0,37. O primeiro balanço auditado deve aumentar a confiança.
Rede D'Or: trimestre fraco esperado
Apesar de recomendação de compra e preço-alvo de R$ 48, o JPMorgan espera um trimestre fraco para a Rede D'Or. O banco projeta receita 2% abaixo do consenso, EBITDA 3% inferior e lucro por ação 6% menor. A Copa do Mundo e o calendário devem ter reduzido a ocupação hospitalar. Parte das más notícias pode já estar refletida nas ações, que caíram cerca de 5% em relação ao Ibovespa em três meses.
SulAmérica: desaceleração com rentabilidade
O Morgan Stanley estima adição líquida de cerca de 4 mil beneficiários no trimestre e 144 mil em 12 meses. A sinistralidade caixa (cash MLR) deve cair para 79%, melhora de 2,3 pontos percentuais. A margem EBITDA deve subir para 7,2%, de 4,9% no ano anterior.
Hypera e o catalisador da semaglutida
A Hypera segue entre as preferidas do JPMorgan, com benefícios da otimização de canais de distribuição. As projeções estão em linha com o consenso para receita e EBITDA, mas 4% acima para lucro. Com a aprovação da Anvisa para a semaglutida, o lançamento comercial é o principal catalisador. Atualizações sobre cronograma, distribuição ou demanda podem impulsionar as ações.
Fleury e Hapvida: cenários distintos
O JPMorgan espera um bom trimestre para o Fleury, com crescimento de receita e lucro por ação. Mas as ações negociam com prêmio elevado, e o potencial de fusões e aquisições está esgotado. O Morgan Stanley estima EBITDA de R$ 587 milhões, margem de 26,2% e lucro líquido de R$ 195 milhões, alta de 81%.
Para a Hapvida, o JPMorgan vê incertezas, com EBITDA 15% abaixo do consenso. O Morgan Stanley projeta queda de 31 mil beneficiários, compensada por aumento de 7% no tíquete médio, com receita de R$ 8 bilhões. A sinistralidade estimada é de 74,3%, com EBITDA ajustado de R$ 621 milhões e lucro líquido de R$ 33 milhões, mais que o dobro do consenso.
Blau: trimestre fraco, mas com eficiência
O JPMorgan considera que as iniciativas de eficiência começam a produzir resultados. As estimativas apontam EBITDA 2% acima e lucro por ação 6% superior. Os temas principais são recuperação de margens, melhora da ocupação hospitalar e ganhos operacionais. A baixa liquidez das ações deve limitar o interesse dos investidores.
Perguntas Frequentes
Qual a principal aposta do JPMorgan para o 2T26?
A BradSaúde (SAUD3) é a principal escolha do JPMorgan, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19 para dezembro de 2026.
O que esperar da Rede D'Or no segundo trimestre?
O JPMorgan espera um trimestre fraco, com receita 2% abaixo do consenso e impacto da Copa do Mundo na ocupação hospitalar.
Qual o papel da semaglutida para a Hypera?
Com a aprovação da Anvisa, o lançamento comercial da semaglutida é o principal catalisador de curto prazo para a Hypera.
Como o Morgan Stanley vê a SulAmérica?
O banco espera desaceleração no crescimento, mas com rentabilidade saudável, com sinistralidade caindo para 79% e margem EBITDA subindo para 7,2%.
O que esperar da Hapvida no 2T26?
O Morgan Stanley projeta EBITDA ajustado de R$ 621 milhões, 4% acima do consenso, com sinistralidade de 74,3%.
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