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Brasil segue longe de crise sistêmica e Bolsa do país está atrativa, diz Bradesco BBI

ResumoBradesco BBI avalia que o Brasil permanece distante de uma crise sistêmica, com probabilidade de 0,5% de ocorrência econômica adversa nos próximos 12 meses. O estudo do banco classifica a Bolsa brasileira como atrativa para investidores, citando fundamentos sólidos e oportunidades de retorno no mercado acionário doméstico.

Um estudo do Bradesco BBI revela que a probabilidade de uma crise econômica no Brasil nos próximos 12 meses é de apenas 0,5%. O mercado acionário brasileiro, segundo o relatório, mostra-se atrativo para investidores.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 04 de agosto de 2026
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Brasil segue longe de crise sistêmica e Bolsa do país está atrativa, diz Bradesco BBI

Um novo estudo do Bradesco BBI conclui que o Brasil está longe de uma crise sistêmica nos próximos anos. Segundo a análise, a probabilidade de uma crise econômica ter início nos próximos 12 meses é de apenas 0,5%, bem abaixo da média histórica de 11%.

O relatório, denominado "Two Clocks, One Alarm" ("Dois relógios, um alarme"), foi elaborado pelos estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler. O estudo analisou mais de três décadas de informações macroeconômicas e do mercado, utilizando dados que abrangem 1.419 ações listadas na bolsa brasileira, incluindo empresas que já fecharam capital ou deixaram de existir.

Sinais de alerta ausentes

A principal conclusão do Bradesco BBI é que crises no Brasil raramente ocorrem sem aviso prévio. Os sinais mais relevantes costumam emergir da combinação entre indicadores de valuation e expansão do crédito, complementados por gatilhos de curto prazo, como o aumento do risco-país e a deterioração da amplitude do mercado. "Os ingredientes para uma crise sistêmica simplesmente não estão presentes neste momento", afirmam os estrategistas.

Um dos pontos destacados na análise é o ciclo de crédito atual. O indicador de crédito em relação ao PIB, que é um dos melhores antecedentes de crises, encontra-se em território negativo, distante dos níveis observados antes de episódios severos como a recessão de 2014.

Bolsa atrativa para investidores

Além do cenário favorável em relação a crises, o banco argumenta que o mercado brasileiro continua a negociar a preços atrativos. O CAPE, métrica que ajusta os lucros ao longo do ciclo econômico, está 1,4 desvio-padrão abaixo da média histórica. As small caps, por sua vez, permanecem deprimidas, o que é um indicativo oposto ao comportamento típico em momentos de euforia que precedem crises.

O relatório também indica que o Brasil é um dos mercados mais baratos do mundo, oferecendo uma margem de segurança para investidores.

Pontos de atenção

Apesar da visão otimista, o Bradesco BBI alerta para alguns pontos de atenção, como a inadimplência das famílias, que continua elevada e em trajetória de alta. A baixa participação das ações na tendência positiva do mercado também é um sinal técnico que sugere fragilidade interna da bolsa.

Ainda assim, os fatores mencionados não são suficientes para indicar uma crise iminente. O modelo indica que seria necessário observar uma deterioração persistente dos indicadores ligados ao crédito e aos gatilhos de curto prazo para que o risco aumentasse de forma significativa.

Expectativas e recomendações

Os retornos sobre patrimônio projetados para os bancos, que antes da crise financeira global de 2008 atingiram níveis elevados, estão agora em uma situação inversa. As expectativas para o setor já incorporam boa parte do estresse do crédito, diminuindo o risco de uma surpresa negativa sistêmica.

Diante desse contexto, o Bradesco BBI reafirmou sua recomendação overweight (exposição acima da média) para o Brasil, considerando o país como sua principal aposta entre os mercados latino-americanos. O banco acredita que os investidores ainda subestimam o potencial de valorização associado ao ciclo de juros e ao ambiente político-eleitoral.

Com a recente melhora dos lucros corporativos e a redução das saídas de recursos dos fundos locais, a bolsa pode se tornar mais sensível a novos fluxos de capital externo. Portanto, o portfólio recomendado pelo banco se concentra em empresas ligadas à queda dos juros e à atividade do mercado de capitais, combinadas com teses de crescimento estrutural e geração de dividendos. ~622 palavras

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