Investimentos

Centaurus terá de fazer OPA da Oncoclínicas, decide CVM

ResumoA Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu por unanimidade que a Centaurus, gestora americana, deve realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações da Oncoclínicas. A obrigação decorre de aquisição relevante de participação acionária. A operação pode custar mais de R$ 6 bilhões, conforme estimativas de mercado.

A CVM decidiu por unanimidade que a gestora americana Centaurus deve realizar uma OPA de ações da Oncoclínicas. A oferta pode custar mais de R$ 6 bilhões.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 26 de agosto de 2026
Centaurus terá de fazer OPA da Oncoclínicas, decide CVM

A diretoria colegiada da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu nesta terça-feira, por unanimidade, que a gestora americana Centaurus deverá realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) de ações da Oncoclínicas. A determinação foi divulgada no fim da noite e reverteu o entendimento da área técnica do órgão. Com a decisão, a gestora terá que desembolsar mais de R$ 6 bilhões para comprar a participação dos minoritários na rede de clínicas oncológicas.

A decisão ocorre em momento de crise na Oncoclínicas. A rede formalizou, em meados de julho, um processo de recuperação extrajudicial, com passivo de R$ 5,1 bilhões. A empresa informou que a dívida bruta será reduzida em R$ 322 milhões.

O caso teve origem na reorganização da fatia do Goldman Sachs, concluída em novembro de 2024. Um fundo da Centaurus (Josephina III) passou a deter mais de 15% da companhia. O estatuto da Oncoclínicas prevê cláusula poison pill, que obriga a OPA quando um acionista ultrapassa esse percentual. A gestora Latache recorreu à CVM para exigir a oferta. A Centaurus argumenta que já era acionista desde o IPO, mas diluiu sua participação de 14,76% para 9,91% em 17 de julho. A Latache, especializada em ativos estressados, tornou-se a maior acionista, com 14,59%.

Em nota, o fundo Josephina III afirmou que discorda da decisão e que cabe à Câmara de Arbitragem da B3 resolver a disputa. A gestora moveu pedido de arbitragem contra a Latache na Bolsa.

Para o pequeno e médio empresário, a decisão mostra como cláusulas de proteção acionária podem gerar obrigações financeiras significativas. O caso reforça a importância de conhecer o estatuto antes de investir em empresas de capital aberto, pois regras como a poison pill podem disparar custos bilionários.

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