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El Niño impactou empresas agro em julho? Veja análise

ResumoO JPMorgan manteve recomendação neutra para SLC Agrícola e São Martinho, e underweight para Adecoagro, após avaliar condições climáticas dentro da normalidade em julho. Chuvas em Mato Grosso compensaram déficit hídrico no MATOPIBA, reduzindo impacto do El Niño sobre as operações agro. A análise indica estabilidade no setor, sem alterações relevantes de risco climático no período.

O JPMorgan viu condições climáticas dentro da normalidade em julho, mantendo recomendação neutra para SLC e São Martinho e underweight para Adecoagro. Chuvas em Mato Grosso compensaram déficit no MATOPIBA.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 07 de agosto de 2026
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Como o El Niño impactou empresas agro no Brasil em julho?

O erro de gestão que mais afunda uma PME do agro é reagir ao clima antes de olhar o caixa. Em julho, o mercado esperava um El Niño forte, mas os números não justificaram pânico. O JPMorgan, que acompanha as principais companhias do setor, avaliou que as condições climáticas permaneceram dentro da normalidade, sem sinais que exigissem revisão da tese de investimento. Para o produtor, a leitura é direta: projeção climática não é fatura, e decisão de plantio se toma com dado na mão, não com manchete.

O que o El Niño mudou nas recomendações do JPMorgan em julho?

O banco manteve recomendação neutra para SLC Agrícola (SLCE3) e São Martinho (SMTO3), e underweight, que equivale à venda, para Adecoagro (AGRO). Segundo a equipe de analistas liderada por Lucas Ferreira, o volume de chuvas em julho ficou, de forma geral, em linha com as expectativas. Em outras palavras, o fenômeno não produziu, até agora, anomalias relevantes.

Chuvas de julho: Mato Grosso compensou MATOPIBA

No caso da SLC, as precipitações acima da média em grande parte das fazendas de Mato Grosso compensaram volumes abaixo da média em algumas propriedades do MATOPIBA. Adecoagro e São Martinho também registraram chuvas dentro do intervalo esperado, embora em níveis mais moderados, após dois meses bastante chuvosos, em maio e junho.

O banco ressalta que, apesar da incerteza inerente às projeções climáticas, não há, neste momento, anomalias relevantes. Para quem gerencia uma propriedade, o indicador que importa é a dispersão do risco, não a média nacional.

Projeções de chuva para setembro e outubro: o que mudou?

Em relação ao relatório anterior, as projeções de chuva para setembro e outubro passaram por revisões distintas entre as principais regiões agrícolas. Isso indica aumento da dispersão dos riscos, ainda que os dados observados até agora não mostrem grandes desvios.

No Brasil, Mato Grosso continua com expectativa de chuvas acima da média em setembro, mas a projeção foi reduzida em relação ao mês anterior, passando de 27,2% para 16% acima da média histórica de 30 anos. Já o MATOPIBA segue com previsão de precipitações significativamente abaixo da média até outubro, cerca de 31% inferiores ao padrão histórico.

Nos Estados Unidos, setembro passou a ter previsão de chuvas ligeiramente abaixo da média em Iowa e Illinois, enquanto outubro continua indicando precipitações modestamente superiores ao normal. Na Índia, importante referência para o mercado de açúcar, Uttar Pradesh e Maharashtra também devem registrar chuvas abaixo da média entre setembro e outubro, em linha com um cenário de enfraquecimento tardio das monções.

Janela da soja: cenário mais seco no Brasil

Para um horizonte mais longo, especialmente durante a janela de desenvolvimento da soja no Brasil, o modelo climático do ECMWF aponta um cenário mais seco. Em Mato Grosso, as chuvas entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027 podem ficar cerca de 20% abaixo da média histórica. No MATOPIBA, o cenário é ainda mais desfavorável, com precipitações entre 20% e 60% inferiores ao normal durante o quarto trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027.

Por outro lado, o Rio Grande do Sul tende a registrar um volume de chuvas significativamente acima da média até o fim do ano. Essa assimetria regional é o que o produtor precisa monitorar de perto, porque ela define a necessidade de irrigação, o custo de insumos e, no limite, a margem da safra.

El Niño e preços de soja e milho: não há regra automática

O JPMorgan considera prematuro reagir às projeções, uma vez que o plantio nas principais regiões produtoras da América Latina ainda está no início. O banco ressalta que não existe uma regra histórica que associe automaticamente o El Niño à valorização dos preços da soja e do milho, já que o impacto sobre a produtividade varia conforme a região.

Nos anos de El Niño, a produtividade da soja caiu, em média, cerca de 8 sacas por hectare em Mato Grosso e 5 sacas por hectare no MATOPIBA, embora haja grande variação entre diferentes safras. Para o produtor, esse número é um alerta, não uma sentença. A decisão de investir em tecnologia de irrigação ou em seguro agrícola deve considerar a probabilidade, não a certeza.

Cana-de-açúcar: relação mais consistente com o El Niño

No caso da cana-de-açúcar, a relação é mais consistente. Segundo o estudo, anos de El Niño costumam estar associados a ganhos de produtividade entre 10% e 20% na região Centro-Sul, ainda que chuvas excessivas possam prejudicar o ritmo da colheita. Para usinas e fornecedores, o cenário é de oportunidade moderada, desde que a logística de colheita esteja preparada para eventuais excessos de chuva.

O que o produtor deve monitorar nos próximos meses

Para as empresas acompanhadas pelo banco, a conclusão é que ainda não há sinais concretos de deterioração das condições climáticas, mas o cenário exige monitoramento mais próximo nos próximos meses, principalmente no MATOPIBA, onde os riscos para a produtividade podem aumentar rapidamente caso as previsões de menor volume de chuvas se confirmem.

A recomendação prática para o pequeno e médio empresário do agro é a mesma que o JPMorgan aplica às grandes companhias: não tomar decisão de investimento baseada apenas em projeção climática. O caixa fala antes do balanço. Se a previsão indica seca no MATOPIBA, o produtor deve antecipar a negociação de contratos de venda e avaliar o custo de seguro, mas sem abandonar o plano de safra por causa de um modelo que ainda pode mudar.

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Perguntas Frequentes

O El Niño afetou as recomendações do JPMorgan para o agro em julho?

Não. O banco manteve recomendação neutra para SLC Agrícola e São Martinho, e underweight para Adecoagro, sem revisar a tese de investimento.

Como ficaram as chuvas em Mato Grosso e MATOPIBA em julho?

Em Mato Grosso, as chuvas ficaram acima da média. No MATOPIBA, ficaram abaixo da média, mas compensadas pelo volume em outras regiões.

Qual a previsão de chuva para a soja na safra 2026/2027?

O modelo ECMWF indica chuvas cerca de 20% abaixo da média em Mato Grosso e entre 20% e 60% abaixo no MATOPIBA, entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027.

O El Niño sempre derruba os preços da soja?

Não. Segundo o JPMorgan, não há regra histórica que associe automaticamente o El Niño à valorização dos preços da soja e do milho.

A cana-de-açúcar ganha com o El Niño?

Em anos de El Niño, a produtividade da cana tende a ganhos de 10% a 20% na região Centro-Sul, segundo o estudo do banco.

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