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Compras de Tesouro IPCA+ disparam 70% com juro recorde em 2026

ResumoTesouro IPCA+ registrou alta de 70% nas compras em 2026, impulsionado pelo maior juro real da história. O movimento reflete busca por proteção contra inflação e rentabilidade elevada, mas exige cautela diante da volatilidade do cenário econômico. Investidores devem avaliar horizonte de longo prazo antes de aderir à euforia.

Compras de Tesouro IPCA+ dispararam mais de 70% em 2026, puxadas pelo maior juro real da história. Veja se a euforia faz sentido para o seu bolso ou se é hora de cautela.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 03 de julho de 2026
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Se você acompanha o noticiário financeiro, já viu: as compras de Tesouro IPCA+ dispararam mais de 70% neste ano. O motivo? O juro real oferecido pelo papel atingiu o maior patamar da história, acima de 7% ao ano. Esse movimento de euforia reflete a busca por proteção contra a inflação, que em maio de 2026 ficou em 0,58% (Banco Central), e a tentativa de garantir uma rentabilidade real elevada por muitos anos. Mas será que essa corrida faz sentido para o seu bolso? Vou te ajudar a enxergar os prós e contras com honestidade.

Compras de Tesouro IPCA+ acompanham juro recorde e disparam mais de 70%. As compras de Tesouro IPCA+ cresceram mais de 70% em 2026, impulsionadas pelo maior juro real já registrado, que ultrapassou 7% ao ano. Esse movimento reflete a busca por proteção contra a inflação, que em maio de 2026 ficou em 0,58% (Banco Central). Apesar do atrativo, o investidor precisa considerar o prazo longo e a marcação a mercado antes de entrar.

Por que o Tesouro IPCA+ está atraindo tantos investidores?

O Tesouro IPCA+ é um título público que paga uma taxa fixa (juro real) mais a variação do IPCA. Quando a inflação sobe, a rentabilidade acompanha. Em 2026, o juro real oferecido superou os 7% ao ano, algo inédito desde a criação do Tesouro Direto. Para você ter ideia, em maio de 2026, a inflação mensal foi de 0,58% (Banco Central), e em abril, de 0,67% (Banco Central). Combinando esses números, o retorno nominal passou fácil dos 7,5% ao mês em alguns vencimentos.

O papel da inflação em alta

A inflação acumulada em 2026 já preocupa. Olhando os dados mensais do IBGE e do Banco Central, o IPCA variou assim:

  • Janeiro: 0,33% (Banco Central)
  • Fevereiro: 0,70% (Banco Central)
  • Março: 0,88% (Banco Central)
  • Abril: 0,67% (Banco Central)
  • Maio: 0,58% (Banco Central)

Isso significa que, em cinco meses, a inflação acumulada já ultrapassou 3,2%. Para quem tem dinheiro parado na poupança ou em CDBs prefixados, a perda de poder de compra é real. O Tesouro IPCA+ aparece como uma âncora: corrige o principal pela inflação e ainda paga um juro extra.

O risco que ninguém conta na euforia

Aqui vai a parte que muitos ignoram: o Tesouro IPCA+ é um título de longo prazo (5, 10, 20 anos ou mais). Isso significa que, se você precisar vender antes do vencimento, estará sujeito à marcação a mercado. Em momentos de alta de juros, o preço do título cai, e você pode amargar um prejuízo temporário. Quem comprou na euforia de 2024 e precisou vender em 2025 sabe bem disso.

Marcação a mercado: o vilão silencioso

Quando o juro real sobe, os títulos mais antigos perdem valor. Se você comprou um IPCA+ com juro de 5% e, no ano seguinte, o juro novo é de 7%, seu papel vale menos. A venda antecipada pode gerar perda de capital. Por isso, a dica de quem vive o mercado há anos é clara: só invista nesse título com dinheiro que você não vai precisar pelos próximos 5 a 10 anos. como funciona a marcação a mercado

Vale a pena comprar Tesouro IPCA+ agora?

Depende do seu perfil e do seu horizonte. Se você tem uma reserva de emergência já montada e quer proteger o patrimônio contra a inflação por muitos anos, o momento é historicamente favorável. O juro real de 7%+ é uma oportunidade rara. Mas, se você está contando com o dinheiro para uma viagem no ano que vem, melhor fugir. O risco de curto prazo é alto.

Comparação com outras opções de renda fixa

  • CDB pós-fixado (CDI): acompanha a Selic, mas não tem proteção contra inflação embutida. Hoje, com juros altos, rende bem, mas se a inflação disparar, você perde.
  • LCI/LCA: isentas de IR, mas com prazos e liquidez menores. Não são indexadas ao IPCA.
  • Tesouro Selic: liquidez diária e segurança, mas rende só a taxa básica. Para reserva de emergência, é imbatível.

Para quem busca proteção real, o Tesouro IPCA+ leva vantagem no longo prazo, mas exige paciência.

Cuidado com a euforia: o que os dados mostram

O aumento de 70% nas compras não significa que todo mundo está fazendo a escolha certa. Muitos entram por medo de perder o juro recorde e acabam alocando um valor que não podem comprometer por décadas. O ideal é que o Tesouro IPCA+ represente no máximo 30% a 40% da sua carteira de renda fixa, combinado com títulos de curto prazo para emergências.

A importância de diversificar

Não coloque todos os ovos na mesma cesta. Mesmo com juro real alto, é prudente ter uma parte em Tesouro Selic (liquidez) e outra em CDBs de bancos médios (prêmio de risco). A diversificação reduz o impacto de uma eventual alta de juros ou de uma crise de confiança.

Perguntas Frequentes

Qual é a diferença entre Tesouro IPCA+ e Tesouro Selic?

O Tesouro IPCA+ paga uma taxa fixa mais a inflação, enquanto o Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros. O primeiro é para longo prazo; o segundo, para curto prazo e emergências.

Posso perder dinheiro com Tesouro IPCA+?

Sim, se você vender antes do vencimento em um momento de alta de juros. No vencimento, você recebe o valor corrigido integralmente.

Qual o prazo mínimo recomendado para investir em Tesouro IPCA+?

Especialistas sugerem pelo menos 5 anos, mas o ideal é 10 anos ou mais, para diluir o risco de marcação a mercado.

O Tesouro IPCA+ é seguro?

Sim, é emitido pelo Tesouro Nacional, considerado o investimento mais seguro do país, com garantia do governo federal.

Como comprar Tesouro IPCA+?

Pelo Tesouro Direto, plataforma do governo, ou por corretoras e bancos que oferecem o serviço. A compra é feita com valor mínimo a partir de R$ 30.

O que é juro real no Tesouro IPCA+?

É a taxa fixa oferecida acima da inflação. Se o título paga IPCA + 7% ao ano, o juro real é de 7% ao ano, descontada a inflação futura.

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