Investimentos

Ibovespa cai 1,73% e perde 3,08% na semana; entenda

ResumoIbovespa registrou queda de 1,73% nesta sexta-feira, fechando aos 172.513 pontos, com perda semanal de 3,08%, a maior desde maio. O movimento refletiu balanços da Petrobras e o payroll fraco nos Estados Unidos, que pressionaram o mercado acionário brasileiro.

Ibovespa cai 1,73% nesta sexta-feira, para 172.513 pontos, e acumula perda de 3,08% na semana, a pior desde maio. Balanços da Petrobras e payroll fraco nos EUA estão no radar.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 07 de agosto de 2026
De consultoria a plataforma: R$ 500 milhões da Ludfor em ene

Ibovespa cai 1,73% e perde 3,08% na semana; entenda o que pesou no mercado

O Ibovespa fechou em forte queda nesta sexta-feira (7), renovando uma série de mínimas. O índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu 1,73%, para 172.513,42 pontos, após tocar 172.131,20 na mínima do dia. Na semana, a perda acumulada foi de 3,08%, a pior desde maio.

O movimento ocorre em meio à avaliação de balanços de empresas brasileiras, com destaque para a Petrobras, e à leitura de dados de emprego dos Estados Unidos.

Por que o Ibovespa caiu forte nesta sexta?

A economia dos EUA cortou 23 mil empregos em julho, em termos líquidos, frustrando as estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que variavam de criação de 63 mil a 130 mil postos, com mediana de 80 mil. A taxa de desemprego norte-americana caiu para 4,1% em julho, ante 4,2% em junho, mesmo nível esperado por especialistas.

Para Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, o sinal de enfraquecimento do emprego dos EUA corrobora a leitura de outros indicadores do país informados nesta semana. "Embaralha um pouco a visão de alguns dirigentes do Fed, de expectativas de alta dos juros americanos. Claro, ainda há preocupação inflacionária. Por isso, será importante avaliar os próximos dados de inflação", diz.

Gustavo Cruz, CIO da Sintra Investimentos, avalia que "lá fora, o mercado parece satisfeito com o payroll mais fraco, o que pode interromper o plano de subir juros do Fed esse ano, ou pelo menos em setembro". No Brasil, segundo ele, a atenção está nos resultados corporativos.

Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, aponta uma contradição nos dados: "O recuo na taxa de desemprego é o que está gerando dúvidas. Não faz sentido cair e, ao mesmo tempo, o mercado de trabalho ter fechado vagas. Payroll negativo, em tese, é desinflacionário, mas desemprego baixo é mais inflação, ainda mais sem um acordo entre EUA e Irã".

Fluxo estrangeiro e rotação para tecnologia

Os rendimentos dos Treasuries cederam, influenciando os juros futuros no Brasil. Na contramão dos outros mercados, como câmbio e juros, o movimento na bolsa parece mais técnico do que fundamento, segundo Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria de Investimentos. Ele aponta tendência de fluxo estrangeiro de saída em agosto.

Conforme Takeo, o mercado brasileiro de ações parece ter funcionado como um "hedge" de tecnologia: quando tech vai mal, a alocação em Brasil melhora e vice-versa.

Enquanto o Ibovespa caiu, o índice Nasdaq subiu 1,30% em Nova York, sinalizando uma nova rotação de ações HALO, que são de ativos físicos, para inteligência artificial. Em análise desta semana, o Deutsche Bank afirmou que a rotação de investimentos de volta para o setor de tecnologia ganhou força após a recente correção. O banco vê espaço para continuidade desse movimento, especialmente entre as grandes empresas de infraestrutura de computação em nuvem.

O papel da Petrobras e o caso ilustrativo

André Matos, CEO da MA7 Capital, ressalta que, mesmo com a forte queda da Bolsa, o Brasil não está em modo de aversão a risco. O dólar caiu abaixo de R$ 5,10 e os juros futuros também recuaram. "Ou seja, câmbio e renda fixa vão bem, quem sofre é especificamente a bolsa", apontou.

"A explicação principal está na composição do índice, porque as duas maiores ações do Ibovespa são Petrobras e Vale", avaliou. Para o especialista, o caso da Petrobras hoje é ilustrativo: a empresa entregou lucro de 52,4 bilhões, acima do esperado, anunciou 17,4 bilhões em proventos, abriu subindo mais de 2% e virou para queda.

"Quando um papel entrega resultado melhor que a projeção e mesmo assim cai, o problema não é o balanço, é o preço de onde ele partiu e o posicionamento de quem já estava dentro", explica Matos.

Balanço da Petrobras: números fortes, ações em queda

Na quinta-feira (6), a Petrobras informou lucro líquido acima do esperado por analistas. A companhia reportou lucro líquido de US$ 10,428 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 120,3% em um ano em dólares e 27% acima da média do Prévias Broadcast. O Ebitda ajustado somou US$ 18,615 bilhões, crescimento de 101,4% na comparação anual e 6,9% acima das projeções. A receita de vendas subiu 59,8% e alcançou US$ 33,607 bilhões, 7,4% abaixo das estimativas. A estatal também anunciou dividendos de R$ 1,34 por ação. Porém, as ações cederam cerca de 3% na sessão.

Combo de notícias locais pesa, diz Criteria

Na visão de Thiago Pedroso, responsável pela área de renda variável da Criteria, houve um combo de notícias locais que pesaram no Ibovespa. Do lado corporativo, ele destaca a indicação da Petrobras de que é muito improvável o pagamento de dividendos extraordinários neste ano, enquanto os resultados de Lojas Renner e Magalu foram bem ruins, contaminando o setor. Em paralelo, há a pressão do quadro fiscal do país e a expectativa sobre a eleição.

"Tudo isso afasta ainda mais o estrangeiro, que não vê nenhum gatilho no curto prazo para manter recurso na bolsa brasileira", afirmou. "Hoje, me pareceu um pouco um cenário de 'jogando a toalha'", acrescentou, citando a forte queda de ações blue chips como Itaú, além da Petrobras.

Pedroso pondera que "o mercado local está muito barato ainda, isso justifica o movimento mais lateralizado das últimas semanas/meses, mas conforme a sensação de piora dos fundamentos da economia aumenta, pode cair mais". Ele acrescenta: "Os últimos dados de atividade econômica mostram uma desaceleração, inadimplência alta, dívida do país subindo. Sem um choque nas expectativas, fica difícil mudar a tendência".

Contexto: o que aconteceu na quinta-feira

No fim do pregão de quinta-feira (6), o Ibovespa caiu 1,23%, aos 175.546,36 pontos, perto da mínima de 175.514,86. Na máxima do dia, o principal índice da B3 foi aos 177.720,00 pontos. Na sexta, o índice abriu estável em 175.546,36 pontos, chegou a subir 0,32% na máxima de 176.116,84 pontos, antes de reverter para as perdas.

Petróleo e geopolítica no radar

No noticiário geopolítico, o petróleo fechou em alta nesta sexta, após sessão volátil, mas despencou mais de 5% na semana, com investidores otimistas de que um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz seja firmado.

Perguntas Frequentes

O Ibovespa pode cair mais?

Segundo Thiago Pedroso, da Criteria, o mercado local está barato, o que justifica um movimento lateralizado, mas a sensação de piora dos fundamentos pode levar a novas quedas, sem um choque nas expectativas.

O que significa a saída de estrangeiros da bolsa?

A tendência de fluxo estrangeiro de saída em agosto, citada por Bruno Takeo, da S4, indica que investidores de fora estão reduzindo posições no mercado brasileiro, pressionando o Ibovespa.

Por que a Petrobras caiu mesmo com lucro recorde?

Para André Matos, da MA7 Capital, quando um papel entrega resultado melhor que a projeção e cai, o problema não é o balanço, mas o preço de onde partiu e o posicionamento de quem já estava dentro.

O que é o efeito hedge de tecnologia?

Segundo Bruno Takeo, o mercado brasileiro funciona como um hedge para tecnologia: quando o setor tech vai mal, a alocação no Brasil melhora, e vice-versa. A alta do Nasdaq nesta sexta reforça a rotação para IA.

Como os dados de emprego dos EUA afetam o Brasil?

O payroll fraco reduz a expectativa de alta de juros do Fed, o que pode beneficiar mercados emergentes, mas a leitura é contraditória com a queda do desemprego, gerando dúvidas entre investidores.

Leia também

Publicidade