Gávea encerra multimercados, transfere gestão ao Bradesco
A Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, anunciou a transferência da gestão dos fundos multimercados da família Gávea Macro para o Bradesco, encerrando a estratégia. Decisão reflete a crise do setor, com resgates de R$ 8,8 bilhões no ano.
Gávea, do ex-BC Armínio Fraga, dá adeus aos fundos multimercados
A Gávea Investimentos, uma das primeiras e mais importantes gestoras independentes do mercado, anunciou aos investidores que está transferindo a gestão dos fundos multimercados da família Gávea Macro para o Bradesco. A decisão, tomada pela gestora do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, marca o abandono da estratégia que sustentou a casa por mais de duas décadas.
O que muda para os cotistas dos fundos Gávea Macro
A gestora vai encerrar a atividade de gestão de terceiros da família Gávea Macro, formada por cinco fundos, incluindo carteiras de previdência. Os cotistas serão convocados para assembleias para aprovar a transferência da gestão para a Bradesco Asset.
No comunicado, a Gávea afirma: "Somos profundamente gratos pela confiança, parceria e apoio recebidos ao longo dos últimos 23 anos". A nota acrescenta que, durante todo esse período, a gestora sempre se manteve alinhada com os clientes ao investir parcela considerável do patrimônio dos sócios na mesma estratégia macro.
Por que a Gávea está saindo dos multimercados
A saída da Gávea da gestão de multimercados é mais um reflexo da crise que atinge o segmento. Neste ano, até o dia 30 de julho, os fundos multimercados da categoria Macro acumulam um resgate líquido de R$ 8,8 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Em 12 meses, o resgate chega a R$ 13,3 bilhões, reduzindo o patrimônio total desses fundos para R$ 97 bilhões no fim de julho.
Em boa parte, essa saída dos investidores reflete os maus resultados acumulados por esses fundos e a concorrência de outros investimentos de menor risco, como títulos públicos ou isentos, debêntures de empresas de infraestrutura, LCIs e LCAs, que se tornaram mais atrativos com os juros na casa dos 14% ao ano.
Números que explicam a decisão
O desempenho piorou neste ano com a guerra entre Estados Unidos e Irã, que mudou o cenário global a partir de março e pegou muitos gestores no contrapé. Os números da Anbima mostram o tamanho do desafio:
- Fundos multimercados Macro: rendimento de 4,37% no ano até 30 de julho e 10,80% em 12 meses.
- CDI: 8,14% no ano e 14,84% em 12 meses.
- Índice de Hedge Funds Anbima: 2,95% no ano e 10,46% em 12 meses.
No caso do Gávea Macro FIF, a rentabilidade no ano até julho foi de 4,35%, quase metade do CDI no período. O fundo, criado em 2008, vinha acumulando ganhos anuais abaixo do CDI desde 2023. O patrimônio no fim de julho era de R$ 325 milhões, com resgate líquido no ano de R$ 152 milhões.
O que o gestor deve observar agora
Para o pequeno e médio empresário que acompanha o mercado, o caso da Gávea mostra um padrão claro: fundos multimercados Macro estão perdendo espaço para aplicações de renda fixa com menor risco e retorno competitivo. Quem tem recursos alocados nesse tipo de fundo precisa reavaliar a carteira à luz dos números, não da reputação da gestora.
O caixa fala antes do balanço. Se o fundo não entrega retorno acima do CDI de forma consistente, a decisão de sair pode ser mais racional do que emocional. A Gávea, com 23 anos de história, tomou essa decisão agora. O investidor individual pode aprender com o movimento.
Perguntas Frequentes
A Gávea vai encerrar todos os fundos multimercados?
Sim, a gestora vai encerrar a atividade de gestão de terceiros da família Gávea Macro, formada por cinco fundos, incluindo carteiras de previdência. A gestão será transferida para a Bradesco Asset, mediante aprovação dos cotistas em assembleia.
O que acontece com os cotistas do Gávea Macro FIF?
Os cotistas serão convocados para assembleias para aprovar a transferência da gestão para a Bradesco Asset. O fundo tinha patrimônio de R$ 325 milhões no fim de julho.
Por que os fundos multimercados Macro estão perdendo recursos?
Segundo a Anbima, os resgates refletem maus resultados e a concorrência de investimentos de menor risco, como títulos públicos, debêntures de infraestrutura, LCIs e LCAs, com juros na casa dos 14% ao ano.
Armínio Fraga comentou a decisão?
Procurado, Armínio Fraga não quis comentar o encerramento dos fundos multimercados.
Qual a rentabilidade do Gávea Macro FIF em 2026?
O fundo rendeu 4,35% no ano até julho, quase metade do CDI no período. Em 12 meses, o CDI acumulou 14,84%.