Ibovespa sobe após IPCA-15 e retomada de fluxo estrangeiro
Ibovespa sobe após IPCA-15 abaixo do esperado e com fluxo estrangeiro voltando. Índice atinge máxima em 3 semanas, mas alta é limitada por juros nos EUA. Entenda o cenário.
O Ibovespa opera em alta nesta sessão, impulsionado pela deflação do IPCA-15 de agosto, que veio mais intensa que o esperado, e pelo otimismo no exterior com a possibilidade de uma saída diplomática para o Estreito de Ormuz. Por volta das 12h, o índice subia 0,32%, a 175.142 pontos, após atingir a máxima do dia de 176.296 pontos (+0,98%), o maior nível desde 6 de agosto.
A resposta direta para quem acompanha o mercado: a queda de 0,40% do IPCA-15 em agosto, ante previsão de recuo de 0,30%, reforça a percepção de que o Banco Central cortará a Selic em setembro. As opções de Copom apontavam para 90% de chance de uma redução de 0,25 ponto porcentual no mês que vem. Esse cenário, somado ao fluxo estrangeiro voltando, sustenta o índice, mas o avanço é limitado por um leve aumento das expectativas de alta dos juros dos Estados Unidos, após dados de atividade e inflação maiores que o esperado.
O fluxo estrangeiro na Bolsa está negativo em R$ 21,37 bilhões no mês, em dados até 24 de agosto. Apesar disso, Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, ressalta que o Ibovespa sobe mesmo com o avanço dos juros futuros porque as taxas já haviam passado por ampla descompressão em sessões anteriores, e há um "ambiente positivo para o Brasil". Higor Rabelo, especialista e sócio da Valor Investimentos, complementa: o mercado surfava uma "inércia positiva" após cair por onze pregões seguidos, e o investidor estrangeiro, que "estava tirando dinheiro de caminhão", voltou a comprar na sexta-feira. Os investidores institucionais colocaram R$ 14,3 bilhões na Bolsa em agosto até a última segunda-feira, sinal de grandes fundos comprando ações, relacionado à expectativa de uma disputa eleitoral acirrada.
Para o pequeno e médio empresário, o recado é direto: a queda da inflação e a possível redução da Selic tendem a baratear o crédito e aliviar o custo de capital, mas a cautela permanece com os juros americanos. O caixa fala antes do balanço: acompanhe o Copom e o fluxo estrangeiro, pois eles indicam o rumo da liquidez para os próximos meses.