JPMorgan vê pessimismo exagerado e mantém RD (RADL3) como favorita
Apesar do pessimismo com o varejo farmacêutico, o JPMorgan afirma que os resultados do 2T26 não corroboram esse cenário. O banco mantém RD Saúde (RADL3) como favorita, eleva o preço-alvo a R$ 31 e vê potencial de alta de 6% sobre o consenso.
JPMorgan vê pessimismo exagerado com farmacêuticas e mantém RD (RADL3) como favorita
O JPMorgan avalia que o pessimismo dos investidores com o varejo farmacêutico foi longe demais. Apesar das preocupações com os efeitos dos medicamentos GLP-1 sobre preços e margens, o avanço da concorrência online e uma possível reforma trabalhista, os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) não corroboraram esse cenário mais negativo. O banco mantém a RD Saúde (RADL3) como favorita e elevou o preço-alvo de R$ 27 para R$ 31.
Resultados do 2T26 não confirmam receios do mercado
Segundo a equipe de analistas liderada por Joseph Giordano, os balanços continuaram mostrando demanda resiliente, margens estáveis e melhora na conversão de caixa. Ou seja, os receios ainda não se traduziram em deterioração dos fundamentos das empresas, e a expectativa do banco é que isso não aconteça.
A redução dos preços dos medicamentos GLP-1 vem gerando forte elasticidade de demanda, ampliando a base de consumidores e beneficiando a receita líquida. Os ganhos de margem bruta devem aparecer gradualmente.
Mercado Livre não tem vantagem estrutural, diz banco
Em relação ao Mercado Livre (BDR: MELI34), o JPMorgan afirma que a empresa ainda não possui uma vantagem estrutural em preços ou nível de serviço. Um levantamento com cerca de 2 mil SKUs, em junho, mostrou preços amplamente semelhantes aos das redes farmacêuticas, que continuam levando vantagem em medicamentos essenciais, conveniência e rapidez na entrega.
Escala e consolidação: o que o JPMorgan espera
As discussões sobre uma eventual reforma trabalhista perderam força recentemente, embora o risco de retornarem rapidamente à pauta exista. Em um setor de margens estreitas, o banco acredita que as empresas mais estruturadas, com maior área de vendas e elevada densidade de lojas, tendem a sofrer menos impactos e podem até se beneficiar de uma consolidação.
A escala torna-se cada vez mais importante em compras, gestão de estoques, logística digital e conformidade regulatória. Isso favorece o ganho de participação das companhias listadas em Bolsa. O perfil defensivo e de baixo beta dos lucros também deve ajudar o setor a atravessar um ambiente macroeconômico e eleitoral mais volátil.
RD Saúde (RADL3): por que o banco prefere a ação
O JPMorgan mantém preferência pela RD Saúde em relação à Pague Menos (PGMN3), citando execução superior, maiores ganhos de participação de mercado, produtividade mais elevada, plataforma omnicanal mais robusta e maior previsibilidade de geração de caixa.
O banco manteve recomendação overweight (equivalente à compra) e elevou o preço-alvo para R$ 31, ante R$ 27. A revisão reflete a atualização do horizonte de avaliação para dezembro de 2027 e a elevação de aproximadamente 4% nas estimativas de lucro por ação para 2026 e 2027, impulsionada por um EBIT maior, melhores dinâmicas de custos, menor depreciação e amortização e margens operacionais superiores, parcialmente compensadas por uma carga tributária mais elevada.
O banco enxerga um potencial de cerca de 6% acima das estimativas de consenso. A avaliação da RD Saúde é considerada atrativa, negociando a 16,6 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo da faixa de 20 a 22 vezes que representaria uma relação mais equilibrada entre risco e retorno.
Pague Menos (PGMN3): underweight mantido
O JPMorgan manteve recomendação underweight (equivalente à venda) para a Pague Menos. Embora os fundamentos tenham melhorado no 2T26, a relação entre risco e retorno ainda não é atrativa.
O banco reconhece avanços na margem bruta, redução das perdas de estoque e melhora na geração de caixa. Por outro lado, o crescimento das vendas perdeu força, em parte por problemas na execução da estratégia digital.
A diferença de crescimento em relação à RD Saúde aumentou, a contribuição dos medicamentos GLP-1 desacelerou, os ganhos de participação de mercado permaneceram razoáveis e o lucro antes dos tributos (EBT) ficou abaixo das expectativas. A qualidade dos resultados é inferior à da concorrente.
O banco também vê riscos na estratégia de acelerar a abertura de lojas, que pode pressionar a geração de caixa e exigir investimentos adicionais para fortalecer a plataforma digital. As ações negociam a cerca de 6 vezes o lucro estimado para 2027, com valor justo entre R$ 3,50 e R$ 3,75 por ação. O desconto de aproximadamente 50% em relação aos múltiplos da RD Saúde é justificado pela maior dependência da companhia de incentivos fiscais.
Perguntas Frequentes
O JPMorgan recomenda comprar RD Saúde (RADL3)?
Sim. O banco mantém recomendação overweight (compra) para RD Saúde, com preço-alvo de R$ 31 para dezembro de 2027.
Por que o JPMorgan vê pessimismo exagerado com farmacêuticas?
Porque os resultados do 2T26 mostraram demanda resiliente, margens estáveis e melhora na conversão de caixa, sem deterioração dos fundamentos.
Qual a recomendação do JPMorgan para Pague Menos (PGMN3)?
O banco mantém underweight (venda), com valor justo entre R$ 3,50 e R$ 3,75 por ação.
O que explica a preferência por RD em vez de Pague Menos?
Execução superior, maiores ganhos de market share, produtividade mais elevada, omnicanal mais robusto e maior previsibilidade de caixa.
Qual o múltiplo da RD Saúde segundo o JPMorgan?
A ação negocia a 16,6 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo da faixa considerada equilibrada de 20 a 22 vezes.