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Melhor investimento de renda fixa entrega 1,23% em junho; pior dá prejuízo

ResumoA renda fixa brasileira em junho de 2026 registrou o melhor investimento com retorno de 1,23% e o pior com prejuízo. A disparidade decorre de fatores como indexadores atrelados à inflação e taxas de juros, que beneficiaram títulos como Tesouro IPCA+ e prejudicaram papéis prefixados ou de curto prazo. Dados oficiais confirmam a variação.

Em junho de 2026, a renda fixa brasileira apresentou resultados contrastantes: enquanto o melhor investimento entregou 1,23% de retorno, o pior acumulou prejuízo. Entenda os motivos por trás dessa disparidade com dados oficiais.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 07 de julho de 2026
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Melhor investimento de renda fixa entrega 1,23% em junho; pior dá prejuízo

Em junho de 2026, a renda fixa brasileira surpreendeu. O melhor investimento do mês entregou 1,23% de retorno, enquanto o pior acumulou prejuízo. A diferença não é coincidência: ela reflete o cenário macroeconômico, a política monetária e as regras de marcação a mercado. Vamos separar a tecnologia do hype e entender o que de fato ocorreu.

Em junho de 2026, o melhor investimento de renda fixa foi o Tesouro Selic, com rendimento de 1,23%, equivalente a 100% do CDI. Já o pior foi o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2050, que registrou perda de 0,8% no mês, devido à marcação a mercado e alta dos juros futuros.

O ranking da renda fixa em junho de 2026

O desempenho dos ativos de renda fixa no mês passado foi influenciado diretamente pela taxa Selic e pelas expectativas de inflação. Segundo o Banco Central, a Selic encerrou maio em 9,75% ao ano, patamar que se manteve em junho, alimentando o rendimento dos títulos pós-fixados.

Tesouro Selic: o campeão do mês

Os títulos atrelados à Selic, como o Tesouro Selic, renderam exatamente a variação da taxa básica no período. Com a Selic em 9,75% ao ano, o retorno mensal ficou em 1,23%. É um rendimento previsível, sem surpresas, ideal para quem busca segurança e liquidez.

CDB e LCI/LCA: próximos no pódio

Os Certificados de Depósito Bancário (CDB) com 100% do CDI também acompanharam de perto. A LCI e a LCA, isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas, tiveram retorno líquido superior, já que o CDI fechou junho em 1,20%. Na prática, uma LCA com 95% do CDI entregou 1,14% livre de IR, superando um CDB de 110% do CDI após o desconto do imposto.

Tesouro Prefixado: estabilidade com risco

Os títulos prefixados, como o Tesouro Prefixado 2029, renderam 0,95% em junho. Apesar de inferiores aos pós-fixados, mantiveram ganho positivo. A taxa contratada no momento da compra, de 12,5% ao ano, foi suficiente para superar a inflação do período.

O pior investimento: Tesouro IPCA+ e a armadilha da marcação a mercado

O grande destaque negativo foi o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2050. O título, que promete proteger o poder de compra, registrou perda de 0,8% em junho. Como isso é possível?

A explicação está na marcação a mercado. Quando as taxas de juros futuras sobem, os títulos de longo prazo perdem valor de mercado. Em junho, a expectativa de inflação para os próximos anos subiu, elevando as taxas dos títulos IPCA+. Quem vendeu o papel antes do vencimento amargou o prejuízo.

Segundo o IBGE, o IPCA acumulado em 12 meses encerrou maio em 4,2%, acima do centro da meta de 3,5%. Essa pressão inflacionária fez o mercado precificar juros mais altos no futuro, derrubando o valor dos títulos longos.

Fundos de renda fixa: nem todos se salvaram

Os fundos de renda fixa que investem em títulos de longo prazo também sentiram o impacto. Fundos com duration acima de 5 anos tiveram retorno negativo em junho, enquanto os de curto prazo, focados em CDI, apresentaram ganhos. A lição é clara: duration importa tanto quanto a taxa contratada.

Por que a renda fixa virou campo minado?

A gente separa a tecnologia do hype: a renda fixa não é um bloco homogêneo. Em junho, a diferença entre o melhor e o pior investimento foi de mais de 2 pontos percentuais. Isso acontece porque cada ativo reage de forma diferente ao cenário macro.

O Banco Central manteve a Selic estável em 9,75% ao ano na última reunião do Copom, em maio, mas o mercado já projeta alta para 10,25% até o fim do ano. Essa expectativa de aperto monetário pressiona os títulos prefixados e indexados à inflação de longo prazo.

O papel da liquidez

Outro fator que separou os investimentos foi a liquidez. O Tesouro Selic tem liquidez diária, sem perda de principal. Já o Tesouro IPCA+ 2050, se vendido antes do vencimento, pode gerar perda ou ganho dependendo do momento. Em junho, quem precisou vender perdeu.

Como escolher o melhor investimento de renda fixa hoje?

Entender a tecnologia por baixo do hype: não existe investimento universalmente melhor. A escolha depende do seu horizonte e da sua tolerância a oscilações.

  • Para reserva de emergência: Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária. Priorize 100% do CDI ou mais.
  • Para médio prazo (2 a 5 anos): Tesouro Prefixado ou IPCA+ com vencimento curto. Evite duration acima de 3 anos.
  • Para longo prazo (10+ anos): Tesouro IPCA+ pode ser interessante, mas apenas se você puder levar até o vencimento. A marcação a mercado é volátil.

A regra prática: se você não consegue dormir com a oscilação do título, ele não é para você. Invista em pós-fixados e durma tranquilo.

O que esperar para julho?

O mercado projeta nova alta da Selic em agosto, para 10,25% ao ano. Se confirmado, os títulos pós-fixados continuarão atraentes. Já os prefixados e IPCA+ de longo prazo podem sofrer mais pressão. A dica é acompanhar o Boletim Focus, do Banco Central, que reúne as expectativas do mercado.

Comparativo entre CDB e Tesouro Selic para reserva de emergência

Perguntas Frequentes

Qual foi o melhor investimento de renda fixa em junho de 2026?

O Tesouro Selic, com rendimento de 1,23%, equivalente a 100% do CDI.

Qual foi o pior investimento de renda fixa em junho de 2026?

O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2050, que registrou perda de 0,8% devido à marcação a mercado.

Por que o Tesouro IPCA+ pode dar prejuízo?

Por causa da marcação a mercado. Quando os juros futuros sobem, o valor do título cai. Se vendido antes do vencimento, o investidor pode ter perda.

O que é CDI e como ele afeta a renda fixa?

O CDI é a taxa que referencia a maioria dos títulos de renda fixa. Em junho, o CDI foi de 1,20%, e investimentos que pagam 100% do CDI renderam esse valor.

Vale a pena investir em LCI ou LCA?

Sim, especialmente para quem busca isenção de Imposto de Renda. Uma LCA com 95% do CDI pode render mais que um CDB de 110% do CDI após os descontos.

Como a Selic influencia a renda fixa?

A Selic é a taxa básica de juros. Títulos pós-fixados acompanham sua variação. Quando a Selic sobe, eles rendem mais; quando cai, rendem menos.

Qual o melhor investimento de renda fixa para reserva de emergência?

Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária e rendimento de 100% do CDI ou superior.

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