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Por que consórcio da Votorantim é favorito para levar CSN Cimentos

ResumoConsórcio Votorantim Cimentos e Cementir é o favorito para adquirir a CSN Cimentos em oferta próxima de R$ 11 bilhões. A venda da unidade de cimentos representa etapa central no plano da CSN para reduzir a dívida líquida de R$ 40,5 bilhões. A transação, em fase avançada, posiciona o consórcio como principal candidato no processo competitivo.

Consórcio formado pela Votorantim Cimentos e pela italiana Cementir é o favorito para levar a CSN Cimentos em oferta próxima de R$ 11 bilhões. A venda é peça-chave no plano da CSN para reduzir uma dívida líquida de R$ 40,5 bilhões.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 11 de agosto de 2026
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Por que consórcio da Votorantim é favorito para levar CSN Cimentos

A venda da CSN Cimentos entrou na reta final com um favorito claro: o consórcio formado pela Votorantim Cimentos e pela italiana Cementir. A oferta apresentada está próxima de R$ 11 bilhões, segundo apuração do mercado. O número, porém, fica abaixo do que Benjamin Steinbruch, controlador do negócio, imaginava no início das conversas.

Inicialmente, Steinbruch queria algo em torno de R$ 15 bilhões pelo ativo. O mercado torceu o nariz. Depois, sinalizou aceitar algo em torno de R$ 13 bilhões. A cimenteira chinesa Huaxin, que também fez proposta vinculante pelo negócio, não comprou a ideia. No mercado, falava-se em R$ 10 bilhões. Estaria bem pago. Se confirmado, o negócio será fechado por um valor um pouco acima dessa conta. A brasileira Polimix também fez proposta, mas corre por fora.

O que pesa a favor do consórcio

A vantagem do consórcio não está apenas no valor. O que pesa é que a Votorantim conhece o mercado brasileiro, e suas armadilhas. Os chineses, não. A complexidade tributária e o contencioso no Brasil aumentam o risco para quem chega de fora. Para quem já sabe navegar por aqui, entram na conta. O banco Morgan Stanley assessora a companhia no processo.

Essa leitura prática do risco local é um diferencial que vai além do preço. Quem já opera no país sabe onde estão os custos escondidos, os passivos trabalhistas e as disputas fiscais. Quem chega de fora precisa aprender na marra, e isso custa caro.

A dívida que pressiona a CSN

A venda faz parte do esforço da CSN para colocar a dívida nos trilhos. O grupo encerrou o primeiro trimestre com dívida líquida de R$ 40,5 bilhões e alavancagem de 3,36 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. Além da CSN Cimentos, a companhia colocou à venda ativos de infraestrutura avaliados em cerca de R$ 1 bilhão.

A pressão para acelerar os desinvestimentos também vem dos credores. Quando levantou US$ 1,2 bilhão com bancos internacionais, em março, a CSN se comprometeu a avançar com a venda de ativos como parte do acordo. Ou seja, não é só uma escolha estratégica. É uma obrigação assumida.

A companhia também tenta abrir espaço no calendário de vencimentos. Estão em negociação US$ 1,3 bilhão em títulos de dívida que vencem em 2028. A proposta é substituí-los por papéis com prazo mais longo, empurrando o pagamento por dois anos.

Quem são os compradores

A Cementir é um grupo italiano de materiais de construção controlado pela família Caltagirone. Com operações em 18 países, na Europa, Estados Unidos e Ásia, a companhia atua principalmente na produção de cimento e concreto e tem ações negociadas na Bolsa de Milão. A compra da CSN Cimentos marcaria a entrada do grupo no país.

A Votorantim Cimentos, por sua vez, é uma das maiores produtoras de materiais de construção do mundo e tem no Brasil seu principal mercado. Controlada pela Votorantim, da família Ermírio de Moraes, a companhia também mantém operações na América do Norte, Europa, África e Ásia.

Do outro lado, a chinesa Huaxin já vinha olhando o mercado brasileiro. A companhia chegou a avaliar a compra da InterCement e desembarcou de vez no país em 2024, com a aquisição da Embu, uma das maiores pedreiras do Brasil, por cerca de R$ 1 bilhão.

O que a CSN confirmou

A CSN confirmou nesta segunda-feira, 19, que recebeu propostas vinculantes pela totalidade da CSN Cimentos. Em fato relevante, a companhia afirmou que as ofertas estão em análise, mas não revelou os interessados nem os valores colocados na mesa. O processo faz parte do plano de desinvestimentos anunciado em janeiro para reduzir a alavancagem do grupo. Inicialmente, Steinbruch queria manter uma fatia minoritária do negócio.

A pergunta que fica é quem paga a conta final. Para a CSN, a venda alivia um balanço pesado. Para quem compra, o preço precisa fazer sentido diante dos riscos locais. O consórcio da Votorantim parece ter encontrado o equilíbrio entre o que Steinbruch queria e o que o mercado aceita pagar.

Perguntas Frequentes

Qual o valor da oferta do consórcio da Votorantim pela CSN Cimentos?

A oferta do consórcio formado pela Votorantim Cimentos e pela Cementir está próxima de R$ 11 bilhões, valor um pouco acima do que o mercado considerava bem pago, em torno de R$ 10 bilhões.

Por que a Votorantim é favorita na disputa?

A Votorantim conhece o mercado brasileiro e suas armadilhas tributárias e contenciosas, o que reduz riscos para quem já opera no país. Os concorrentes estrangeiros, como a chinesa Huaxin, enfrentam mais dificuldade para avaliar esses custos.

Qual a dívida da CSN e como a venda ajuda?

A CSN encerrou o primeiro trimestre com dívida líquida de R$ 40,5 bilhões e alavancagem de 3,36 vezes. A venda da CSN Cimentos é peça-chave do plano de desinvestimentos para reduzir essa alavancagem.

A Huaxin ainda está na disputa?

A chinesa Huaxin fez proposta vinculante, mas não aceitou os valores sinalizados por Steinbruch. A brasileira Polimix também apresentou proposta, mas corre por fora.

O que a CSN confirmou oficialmente?

A CSN confirmou que recebeu propostas vinculantes pela totalidade da CSN Cimentos, mas não revelou os interessados nem os valores. O processo segue em análise.

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