Raízen, Braskem, Grupo Mateus, Energisa e mais: ações para acompanhar hoje
O mercado acionário brasileiro abre com movimentos mistos. Raízen, Braskem, Grupo Mateus e Energisa estão entre os papéis que mais chamam a atenção do investidor. Entenda os fatores que influenciam cada ação hoje, com base em dados do Banco Central, IBGE e balanços recentes.
Abertura do mercado hoje tem sabor de cautela com alguns nomes de peso. A gente separa o que é ruído do que é fundamento para as ações de Raízen, Braskem, Grupo Mateus e Energisa. Vamos aos fatos.
Entre as ações que merecem atenção hoje estão Raízen (RAIZ4), Braskem (BRKM5), Grupo Mateus (GMAT3) e Energisa (ENGI11). A Raízen reportou queda no lucro do 3º trimestre safra 2025/26. A Braskem negocia acordo com credores nos EUA. O Grupo Mateus abriu nova loja no Maranhão. A Energisa anunciou investimento de R$ 1,3 bilhão em 2025.
Raízen (RAIZ4): resultados mistos e expectativa para etanol
A Raízen, uma das maiores processadoras de cana-de-açúcar do mundo, divulgou seus resultados do terceiro trimestre da safra 2025/26. O lucro líquido ajustado caiu 12% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 1,2 bilhão. A receita líquida, por outro lado, cresceu 8%, impulsionada pela venda de etanol e açúcar.
Segundo a companhia, o mix de vendas favoreceu o açúcar, que respondeu por 54% do ATR (Açúcar Total Recuperável) processado. O etanol hidratado, por sua vez, teve margem pressionada pela concorrência com o combustível fóssil.
Para quem acompanha o setor, a dica é ficar de olho no câmbio: cada variação de R$ 0,10 no dólar impacta o resultado da Raízen em cerca de R$ 150 milhões. A gente sabe que a companhia é altamente exposta ao mercado internacional de açúcar.
Braskem (BRKM5): recuperação judicial nos EUA e impacto no Brasil
A Braskem está no centro das atenções hoje. A petroquímica protocolou pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, sob Chapter 15, para proteger seus ativos enquanto negocia com credores. A dívida bruta da empresa é de R$ 38 bilhões, segundo o balanço do terceiro trimestre de 2025.
A notícia não é exatamente uma surpresa para quem vinha acompanhando os problemas de alavancagem da Braskem. A empresa enfrenta queda na demanda por resinas e pressão de custos com nafta. O mercado reagiu com queda de 7% no papel na abertura.
Entender a tecnologia por baixo do hype aqui significa separar o risco de curto prazo das possibilidades de reestruturação. A Braskem ainda é a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, com capacidade instalada de 9 milhões de toneladas por ano.
Grupo Mateus (GMAT3): expansão agressiva no Nordeste
O Grupo Mateus, rede varejista com forte presença no Nordeste, anunciou a abertura de mais uma loja no Maranhão, sua base de origem. A nova unidade, em São Luís, é a 12ª da bandeira Mateus Supermercados no estado.
A empresa também comunicou que investirá R$ 800 milhões em 2026, parte para novas lojas e parte para modernização do centro de distribuição. O Grupo Mateus encerrou 2025 com 245 lojas e receita líquida de R$ 18,5 bilhões, alta de 15% sobre 2024.
Para o investidor, a tese de crescimento no Nordeste continua forte. A região tem renda per capita crescendo acima da média nacional, segundo dados do IBGE (PNAD Contínua, 2025).
Energisa (ENGI11): investimento em transmissão e dividendos
A Energisa, holding do setor elétrico, anunciou investimento de R$ 1,3 bilhão em 2025, focado em linhas de transmissão e subestações. A empresa também confirmou a distribuição de R$ 0,45 por ação em juros sobre capital próprio, com data de corte em 28 de fevereiro.
O lucro líquido da Energisa em 2025 foi de R$ 2,1 bilhões, queda de 5% em relação a 2024, devido a maiores custos com energia comprada. A dívida líquida sobre EBITDA ficou em 2,8 vezes, dentro do limite do rating.
Para quem busca renda, a Energisa tem histórico de pagar dividendos acima da média do setor. O dividend yield esperado para 2026 é de 6,5%, segundo projeções do mercado.
Outras ações que merecem atenção hoje
Além dos quatro nomes principais, o investidor deve acompanhar:
- Petrobras (PETR4): a estatal anunciou redução de 2% no preço da gasolina nas refinarias. O mercado reage com cautela, pois a medida pode pressionar margens de distribuidoras.
- Vale (VALE3): o minério de ferro subiu 1,5% em Dalian, China, puxado por estímulos econômicos do governo chinês. A Vale é a maior exportadora do minério do Brasil.
- Magazine Luiza (MGLU3): a varejista anunciou parceria com a fintech Zro para oferecer crédito consignado a funcionários de empresas clientes. A ação sobe 3% na abertura.
Como interpretar os movimentos de hoje?
O mercado de ações não é um cassino, embora às vezes pareça. Cada movimento de preço tem um fundamento por trás. No caso da Raízen, o lucro caiu, mas a receita cresceu: isso indica que a empresa está vendendo mais, mas com margem menor. Para a Braskem, a recuperação judicial é um evento de risco, mas não necessariamente o fim da empresa.
O investidor que entende a tecnologia por baixo do hype, ou seja, os fundamentos reais de cada negócio, está mais protegido de tomar decisões emocionais. É o que a gente sempre defende aqui.
Perguntas Frequentes
O que é Chapter 15 nos EUA?
O Chapter 15 é um mecanismo legal nos Estados Unidos que permite que empresas estrangeiras em processo de recuperação judicial em seu país de origem protejam seus ativos nos EUA contra credores. Foi o que a Braskem utilizou.
A Raízen paga dividendos?
Sim. A Raízen tem política de distribuir 40% do lucro líquido ajustado em dividendos. O dividend yield esperado para a safra 2025/26 é de 4,5%.
O Grupo Mateus é uma boa ação para longo prazo?
Depende do perfil. A empresa tem crescimento consistente no Nordeste, com receita subindo 15% ao ano. Mas o setor varejista é cíclico e sensível a juros. A Selic em 9,75% ao ano ainda pressiona o consumo.
Qual o prazo para receber os JCP da Energisa?
A data de corte para ter direito aos JCP de R$ 0,45 por ação é 28 de fevereiro de 2026. O pagamento ocorre em 15 de março.
O que mais influencia as ações hoje?
Além dos fatores específicos de cada empresa, o cenário macroeconômico pesa. O IPCA de janeiro veio em 0,38%, abaixo das expectativas, o que alivia a pressão sobre a Selic. O dólar opera a R$ 5,20, estável. O Ibovespa abre em leve alta de 0,3%.
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