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Real perde espaço para peso colombiano em carry trade

ResumoO peso colombiano superou o real brasileiro como principal moeda de carry trade entre mercados emergentes, registrando retornos próximos de 20%. A moeda colombiana atrai investidores apesar das intervenções do banco central para conter a valorização. O real perde espaço nessa estratégia, que busca ganhos com diferenças de juros e apreciação cambial.

O peso colombiano se destaca como a moeda de melhor desempenho entre os mercados emergentes, superando o real como principal aposta em carry trade. Com retornos próximos de 20%, a moeda atrai investidores mesmo diante de esforços do banco central colombiano para conter sua valori

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 07 de agosto de 2026
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Real perde espaço para peso colombiano como principal aposta em carry trade

O peso colombiano continua a ser a moeda de melhor desempenho entre os mercados emergentes, enquanto investidores focam no alto retorno proporcionado pelo carry trade. Mesmo com tentativas do banco central da Colômbia para controlar a valorização do peso, a moeda se destaca e atrai atenção.

Na última sexta-feira, após o fechamento dos mercados, o banco central colombiano surpreendeu ao interromper a sequência de altas de juros e anunciou um programa para acumular até US$ 4 bilhões em reservas internacionais. Inicialmente, essas medidas surtiram efeito: na segunda-feira, o peso registrou sua maior queda diária desde maio. Contudo, essa tendência não se manteve e, até quinta-feira, a moeda já havia recuperado quase todas as perdas.

A recuperação do peso colombiano demonstra a dificuldade das autoridades em conter uma das operações de carry trade mais populares deste ano. O retorno obtido com aplicações em peso colombiano está próximo de 20% em 2026, consolidando a moeda como a de melhor desempenho do mundo, à medida que investidores tomam empréstimos em moedas de juros baixos para investir em ativos que oferecem rendimentos mais elevados.

"Carry continua sendo o principal fator", destaca Jose Prieto Jaramillo, executivo do BTG Pactual em Bogotá. Mesmo após a decisão do banco central de manter os juros na semana passada, "o mercado continua esperando inflação elevada e, com isso, uma trajetória de aperto monetário, o que sustenta a moeda".

Nesta quinta-feira, o peso avançava 0,3%, acumulando alta de 2,1% em três dias, após a queda de 2,4% registrada na segunda-feira. No total do ano, a moeda sobe 19%, quase três vezes a valorização de qualquer outra divisa emergente.

Além disso, a melhora do cenário político na Colômbia também tem contribuído para o fortalecimento do peso. O presidente eleito Abelardo de la Espriella, que toma posse nesta sexta-feira, prometeu reduzir o déficit fiscal e controlar o aumento da dívida pública, o que por sua vez reforça a confiança dos investidores nos ativos locais.

As medidas implementadas pelo banco central refletem a crescente preocupação das autoridades com a força da moeda. A ata da última reunião do banco central indicou que os membros da diretoria avaliam que novos aumentos de juros poderiam ampliar o diferencial de taxas em relação a outros países, alimentando ainda mais o carry trade e fortalecendo o peso.

Apesar disso, a autoridade monetária manteve em aberto a possibilidade de novas altas de juros, alertando que um episódio severo do fenômeno El Niño pode pressionar ainda mais a inflação. Em um relatório divulgado na terça-feira, a projeção de inflação para 2026 foi elevada de 6,4% para 6,9%.

"O comunicado continua bastante cauteloso e com viés de aperto monetário", afirma Ning Sun, estrategista sênior para mercados emergentes da State Street, em Boston. "Não vejo a decisão da semana passada como uma mudança para uma postura mais branda."

O banco central tem a intenção de ampliar as reservas internacionais através de leilões mensais de opções de venda. A estratégia começou nesta semana com uma oferta para comprar US$ 400 milhões. O mercado rapidamente absorveu todo o volume, indicando que a iniciativa teve pouco efeito imediato sobre a valorização da moeda. Prieto acredita que os resultados dessa estratégia tendem a aparecer ao longo do tempo, à medida que a autoridade monetária acumular um montante maior de reservas.

Até lá, o peso colombiano continua a ser uma das poucas moedas de alto rendimento, combinando retorno elevado com um cenário macroeconômico favorável.

"O Brasil está perdendo parte do brilho como a principal moeda de carry trade da região", conclui Ning Sun. "Com o aumento dos riscos políticos, investidores que buscam operações de carry precisam encontrar outra alternativa para substituir posições compradas no real."

Perguntas Frequentes

O que é carry trade?

Carry trade é uma estratégia de investimento onde o investidor toma emprestado em uma moeda com juros baixos e investe em ativos que oferecem rendimentos mais altos.

Por que o peso colombiano se tornou popular entre investidores?

O peso colombiano se destacou devido ao seu elevado retorno, que se aproxima de 20%, atraindo investidores mesmo frente a intervenções do banco central.

Como a política econômica da Colômbia afeta o peso?

As promessas do novo presidente de controlar o déficit fiscal e a dívida pública aumentam a confiança dos investidores, impactando positivamente o valor do peso.

Quais são os riscos associados ao carry trade?

Os riscos incluem flutuações cambiais, mudanças nas políticas monetárias e fatores econômicos que podem afetar inesperadamente a valorização da moeda escolhida. ~1283 palavras.

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