Renner (LREN3) corta guidance após 2T fraco e ações caem 8%
Lojas Renner (LREN3) reportou 2T26 abaixo do esperado, cortou o guidance de receita para 2026 e viu as ações caírem 8,09%, a R$ 12,39. Vendas mesmas lojas subiram só 0,5%, preocupando o mercado.
Renner (LREN3) corta guidance após 2T fraco, preocupa com vendas e ações desabam 8%
A Lojas Renner (LREN3) reportou um segundo trimestre de 2026 abaixo das expectativas do mercado e anunciou redução nas projeções de crescimento de receita para este ano. O movimento deve aumentar o ceticismo dos investidores sobre a capacidade da varejista de acelerar as vendas nos próximos meses. Nesta sexta-feira (7), os papéis fecharam em queda de 8,09%, a R$ 12,39, maior baixa da sessão, apesar de se afastarem das mínimas do dia.
A companhia registrou receita líquida consolidada de R$ 4,2 bilhões no período, alta de apenas 1% na comparação anual. O lucro líquido ficou praticamente estável em R$ 405 milhões. O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) somou R$ 845 milhões, queda de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números vieram abaixo das projeções de bancos e corretoras.
O principal ponto de preocupação, porém, foi o desempenho das vendas. As vendas mesmas lojas (SSS) do varejo avançaram apenas 0,5% na comparação anual, muito abaixo do observado em concorrentes como C&A (CEAB3) e Grupo Guararapes (RIAA3), além de ficar aquém das expectativas do mercado.
Diante desse cenário, a Renner reduziu sua projeção de crescimento da receita de varejo para 2026 para uma faixa entre 4% e 8%, ante a estimativa anterior de 9% a 13%. A companhia atribuiu a revisão a um ambiente macroeconômico mais desafiador, à concorrência crescente de plataformas internacionais após mudanças tributárias e à queda de fluxo de consumidores observada durante a Copa do Mundo.
Corte de guidance domina avaliação dos analistas
O Bradesco BBI classificou os resultados como negativos e afirmou que o corte de guidance acaba ofuscando os avanços operacionais da companhia. Segundo o banco, o fraco crescimento das vendas e a revisão das projeções enfraquecem a tese de investimento e reforçam a percepção de que a Renner está mais vulnerável ao cenário macroeconômico. Para os analistas, o resultado deve ampliar o ceticismo do mercado sobre a capacidade da empresa de entregar suas metas.
O JPMorgan seguiu linha semelhante e afirmou esperar reação negativa das ações. O banco destacou que o novo guidance confirma preocupações com a demanda e ainda exige uma aceleração significativa do crescimento no segundo semestre para ser cumprido. A instituição também observou que, mesmo após a revisão, suas projeções continuam exigindo crescimento de dois dígitos das vendas na segunda metade do ano.
O Goldman Sachs também prevê reação negativa do mercado, avaliando que os investidores devem concentrar atenção na redução do guidance e no aumento da pressão competitiva exercida por plataformas internacionais de comércio eletrônico.
Margem bruta recorde e estoques saudáveis: o lado positivo
Apesar da desaceleração das vendas, a Renner apresentou indicadores operacionais considerados positivos. A margem bruta do varejo avançou 0,4 ponto percentual, para 57,5%, atingindo um nível recorde para a companhia. Segundo a administração, o resultado foi beneficiado por maior participação de vendas a preço cheio, melhor gestão de estoques, ganhos de eficiência na cadeia logística e pelo real mais valorizado frente ao dólar.
O JPMorgan destacou que o avanço da margem e a redução das provisões para bônus ajudaram a preservar a rentabilidade mesmo diante do crescimento modesto das vendas. Já a XP observou que a Renner continuou apresentando a maior margem Ebitda do setor graças à elevada produtividade das lojas.
O banco americano ressaltou ainda que os estoques cresceram 6,5% em relação ao ano anterior, mas a quantidade de produtos com mais de 16 semanas caiu quase 12%, indicando qualidade considerada saudável do inventário.
Realize: inadimplência e crédito mais conservador pesam
Outro ponto de atenção veio da operação financeira Realize. O resultado da divisão caiu 22% na comparação anual, para R$ 54 milhões, afetado pela postura mais conservadora na concessão de crédito e pela deterioração dos indicadores de inadimplência. O índice de atraso aumentou 0,6 ponto percentual em um ano, para 29%, enquanto a carteira de crédito recuou 1%, para R$ 6,4 bilhões.
A XP avaliou que o Ebitda da Realize ficou abaixo das expectativas por conta de despesas operacionais mais elevadas, enquanto o Goldman Sachs afirmou que a piora da rentabilidade e da qualidade da carteira deve gerar questionamentos adicionais dos investidores.
O que esperar do segundo semestre?
Mesmo após reduzir a projeção para 2026, a administração reiterou a expectativa de aceleração do crescimento ao longo do segundo semestre, apoiada por bases de comparação mais favoráveis, expansão da área de vendas, reabertura de lojas reformadas e novas iniciativas comerciais e digitais.
A companhia também manteve inalteradas as metas de longo prazo para abertura de lojas, expansão de margens, retorno sobre capital investido (ROIC) e crescimento até 2030. Além disso, reforçou sua política de retorno aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações.
Para a XP, porém, a Renner ainda precisa revisar sua estratégia comercial e recuperar o status de destaque operacional que historicamente possuía frente aos concorrentes. A corretora acredita que os papéis devem refletir a surpresa negativa com os resultados e o corte de guidance, embora o programa de retorno de capital, com yield próximo de 5,8%, possa oferecer algum suporte às ações.
Se você acompanha o varejo de perto, vale a pena olhar também como as concorrentes estão se posicionando análise de concorrentes do varejo e como o cenário macroeconômico impacta o consumo impacto dos juros no varejo.
Perguntas Frequentes
Por que as ações da Renner caíram 8%?
As ações caíram após a companhia reportar um segundo trimestre abaixo do esperado e reduzir a projeção de crescimento da receita para 2026, de 9% a 13% para 4% a 8%. O mercado reagiu negativamente à revisão e ao fraco desempenho das vendas.
O que é o guidance da Renner?
É a projeção oficial da companhia para seus indicadores financeiros, como crescimento de receita. A Renner reduziu a meta para 2026, citando ambiente macroeconômico desafiador, concorrência de plataformas internacionais e impacto da Copa do Mundo no fluxo de consumidores.
Quais foram os principais números do 2T26 da Renner?
A receita líquida foi de R$ 4,2 bilhões, alta de 1% anual. O lucro líquido ficou em R$ 405 milhões, praticamente estável. O Ebitda ajustado caiu 5%, para R$ 845 milhões. As vendas mesmas lojas subiram apenas 0,5%.
A Renner mantém seus dividendos?
A companhia reforçou sua política de retorno aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações. A XP estima um yield próximo de 5,8%, o que pode dar algum suporte às ações.
O que os analistas recomendam após o resultado?
Bradesco BBI, JPMorgan e Goldman Sachs preveem reação negativa e questionam a capacidade da empresa de acelerar as vendas. A XP vê necessidade de revisão da estratégia comercial, mas reconhece o suporte do programa de retorno de capital.