Robinhood IPO de fundo: varejo investe em startups
A Robinhood anunciou o roadshow de IPO do Robinhood Ventures Fund II (RVII), fundo que dá ao varejo acesso a 80 startups privadas. As ações estreiam na NYSE em 13 de agosto, a US$ 25.
Startups: Robinhood faz IPO de fundo que permite ao varejo investir em startups
A Robinhood anunciou ontem (3) o roadshow de IPO do Robinhood Ventures Fund II (RVII), fundo que promete dar a investidores comuns acesso a um portfólio de 80 startups privadas em estágio inicial, algo historicamente restrito a fundos de venture capital e investidores credenciados. As ações devem estrear na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em 13 de agosto, sob o ticker RVII, ao preço esperado de US$ 25 por ação.
O RVII é um fundo fechado que investe em empresas privadas, mas negocia em bolsa como uma ação comum, estruturado como uma Business Development Company (BDC). A cota dá ao investidor uma participação proporcional nas 80 startups do portfólio, sem exigência de ser credenciado ou de fazer aportes mínimos.
Como o fundo da Robinhood democratiza o acesso a startups
"O próximo Airbnb, Stripe ou DoorDash provavelmente já está sendo criado hoje", disse a Robinhood em comunicado. "Historicamente, o investidor de varejo só conseguia comprar ações dessas empresas depois do IPO, quando a maior parte do crescimento e da valorização já havia acontecido."
Segundo a empresa, o fundo pretende se reunir com dezenas de novas startups a cada trimestre, priorizando as que fazem ou fizeram parte do programa de aceleração Y Combinator, uma das mais influentes aceleradoras do mundo. A Robinhood afirma que a Y Combinator financiou mais de 5 mil empresas com valor combinado superior a US$ 1,3 trilhão desde 2005, incluindo 100 unicórnios.
Por que o mercado de VC sofre com baixa liquidez
O modelo do RVII é uma resposta direta à baixa liquidez no mercado de venture capital. Em fundos tradicionais, o capital costuma permanecer investido por oito a dez anos, até que as startups do portfólio sejam vendidas, façam IPO ou passem por outro evento de liquidez. Como as cotas do RVII são negociadas na NYSE, o investidor pode entrar e sair da posição a qualquer momento, sem precisar esperar essas operações.
A estratégia busca resolver dois problemas ao mesmo tempo. Para o investidor de varejo, elimina a principal barreira de acesso: hoje, apenas quem é credenciado, em geral pessoas com alta renda ou patrimônio elevado, pode investir diretamente em fundos de VC. Para o mercado, cria uma alternativa de liquidez em um momento em que as empresas estão demorando cada vez mais para abrir capital.
Segundo dados citados pela Robinhood, o tempo médio entre a fundação de uma empresa e seu IPO passou de cinco anos, em 1999, para 14 anos, em 2024. Com isso, boa parte do crescimento e da valorização dessas companhias ocorre enquanto elas ainda são privadas, fora do alcance do investidor comum.
A aposta na Y Combinator como filtro de qualidade
"Com o Robinhood Ventures Fund II, o investidor de varejo não precisa mais esperar o IPO de uma empresa para fazer parte da sua jornada de crescimento inicial", afirma Sarah Pinto, chefe da Robinhood Ventures, em comunicado.
Rich Aberman, gestor de portfólio do RVII e ex-participante da Y Combinator como fundador e visiting partner, reforça a aposta no programa de aceleração como filtro de qualidade. "A Y Combinator tem um dos históricos mais sólidos do VC e seu nível de acesso a startups promissoras é extraordinário. À medida que a Robinhood Ventures escala, nossa missão é tornar normal que o investidor de varejo esteja representado nas cap tables de rodadas seed ou série A."
É importante notar que a Y Combinator não patrocina, endossa nem promove o fundo. A relação do RVII com o programa é limitada ao critério de seleção das startups, não a uma parceria formal.
Taxas "2 e 20" e riscos do RVII
Assim como fundos tradicionais de VC, o RVII cobra uma estrutura de taxas conhecida no mercado como "2 e 20": uma taxa de administração de 2% ao ano sobre o patrimônio líquido do fundo, paga trimestralmente, mais uma taxa de performance de 20% sobre os ganhos de capital realizados desde o início do fundo, descontadas eventuais perdas e taxas de performance já pagas em períodos anteriores.
É a mesma lógica de remuneração cobrada por gestoras de private equity e venture capital de investidores institucionais, mas agora aplicada a um produto acessível ao varejo, sem mínimo de investimento e sem exigência de credenciamento. O fundo não tem histórico operacional relevante, por ser recém-criado, e a Robinhood avisa que não deve fazer distribuição trimestral de dividendos, prática comum entre BDCs.
O período em que investidores podem solicitar ações do IPO deve se encerrar em 12 de agosto, um dia antes da estreia na NYSE. O Goldman Sachs é o coordenador líder da oferta, com o Citigroup, J.P. Morgan, UBS Investment Bank e Wells Fargo Securities como coordenadores conjuntos.
O histórico de controvérsias da Robinhood
Um dos episódios mais marcantes da história da Robinhood ocorreu em 2021, durante o rali das ações da GameStop puxado por investidores do fórum WallStreetBets, do Reddit. Na ocasião, a corretora restringiu a compra de ações como GameStop e AMC em seu aplicativo, os usuários podiam vender posições existentes, mas não abrir novas.
A empresa alegou que a medida era necessária para cumprir obrigações regulatórias de capital e atender a depósitos adicionais exigidos pelas câmaras de compensação. A decisão provocou forte reação entre investidores de varejo, levou a ações judiciais e investigações no Congresso dos Estados Unidos e passou a ser vista como o episódio que mais abalou a confiança pública na companhia.
Mais recentemente, a empresa voltou a enfrentar críticas ao lançar, para investidores europeus, tokens que ofereciam exposição indireta à OpenAI. A controvérsia ganhou força depois que a OpenAI afirmou publicamente que não havia participado da iniciativa, não a endossava e que os tokens não representavam participação acionária na empresa. A Robinhood respondeu que os ativos davam exposição indireta à OpenAI por meio de um veículo de propósito específico (SPV). Parte dos investidores, porém, afirmou não ter entendido, no momento da compra, que não estava adquirindo ações da empresa, mas um instrumento financeiro vinculado ao seu desempenho.
O que esperar do lançamento do RVII
O lançamento do RVII reacende a discussão sobre a estrutura de produtos que oferecem exposição indireta a empresas privadas. No caso do RVII, o investidor compra cotas de um BDC, e não uma participação direta nas startups do portfólio. O fundo também está sujeito às taxas típicas de venture capital e aos riscos regulatórios do registro na SEC, que ainda não entrou em vigor.
Perguntas Frequentes
O que é o Robinhood Ventures Fund II?
É um fundo fechado estruturado como BDC que permite ao investidor de varejo comprar cotas negociadas na NYSE com exposição a 80 startups em estágio inicial. O IPO estreia em 13 de agosto, com ações a US$ 25, sob o ticker RVII.
Quem pode investir no RVII?
Diferente de fundos de VC tradicionais, o RVII não exige que o investidor seja credenciado nem tenha um mínimo de investimento. As cotas são negociadas em bolsa como uma ação comum.
Quais são as taxas do RVII?
O fundo cobra a estrutura "2 e 20": 2% ao ano de taxa de administração sobre o patrimônio líquido, paga trimestralmente, mais 20% de taxa de performance sobre ganhos de capital realizados desde o início.
A Y Combinator apoia o fundo?
Não. A Y Combinator não patrocina, endossa nem promove o fundo. A relação é limitada ao critério de seleção das startups, não a uma parceria formal.
Quais os riscos de investir no RVII?
O fundo não tem histórico operacional relevante, não deve distribuir dividendos trimestrais e está sujeito aos riscos regulatórios do registro na SEC, que ainda não entrou em vigor. Além disso, o investidor compra cotas de um BDC, não participação direta nas startups.