Investimentos

Taxas caem após pesquisa eleitoral em dia de Copa; entenda o movimento

As taxas de juros futuros fecharam em queda nesta quarta-feira, influenciadas pela divulgação de nova pesquisa eleitoral e pelo baixo volume de negócios, já que o horário do pregão foi encurtado pelo jogo da Copa do Mundo.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 30 de junho de 2026
Canetas emagrecedoras fora do SUS: preços podem mudar?

Taxas caem após nova pesquisa eleitoral em dia de liquidez afetada por jogo da Copa

As taxas de juros futuros fecharam em queda nesta quarta-feira, influenciadas pela divulgação de nova pesquisa eleitoral e pelo baixo volume de negócios, já que o horário do pregão na B3 foi encurtado pelo jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo. O movimento reflete a leitura do mercado sobre os riscos políticos e a acomodação das expectativas para a política monetária.

Resposta direta: As taxas de juros futuros caíram nesta quarta-feira, puxadas pela divulgação de uma nova pesquisa eleitoral que alterou as expectativas do mercado. O movimento ocorreu em um pregão de liquidez reduzida, já que o horário dos negócios na B3 foi encurtado pelo jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo. Os contratos de DI com vencimento em 2027 e 2029 registraram as maiores quedas.

O que moveu as taxas futuras hoje?

A ponta curta da curva de juros futuros foi a mais beneficiada. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 caiu de 14,2% para 14,1%, enquanto o DI para janeiro de 2029 passou de 13,8% para 13,6% ao ano. A pesquisa eleitoral trouxe um cenário que, na visão dos agentes, reduz a incerteza sobre a condução da política fiscal nos próximos meses, diminuindo o prêmio de risco embutido nos juros de médio prazo.

Pesquisa eleitoral e o impacto nos juros

A nova pesquisa, divulgada por instituto reconhecido, mostra uma mudança na intenção de voto que alterou as projeções para o segundo turno. O mercado financeiro reage a esses dados porque eles influenciam as expectativas sobre o futuro da política econômica. Um governo com maior apoio parlamentar tende a aprovar reformas com mais facilidade, o que reduz o risco fiscal e, por consequência, as taxas de juros futuras.

Como a pesquisa foi divulgada durante a madrugada, os investidores tiveram tempo para precificar o novo cenário antes da abertura dos negócios. A queda das taxas foi consistente ao longo do dia, sem grandes oscilações, o que indica uma leitura convergente entre os participantes do mercado.

Liquidez reduzida pelo jogo da Copa

O pregão desta quarta-feira teve volume de negócios cerca de 40% abaixo da média diária, segundo dados da B3 como funciona o mercado de juros futuros. O horário reduzido de funcionamento da bolsa, que fechou às 15h30 para acompanhar o jogo do Brasil, concentrou as operações em um período mais curto, amplificando os movimentos de preço.

Para quem atua no mercado há anos, sabe que dias de Copa são atípicos. A liquidez cai, os spreads aumentam e qualquer notícia relevante pode ter um impacto desproporcional. Foi o que aconteceu hoje: a pesquisa eleitoral encontrou um mercado mais fino, e o movimento de queda das taxas foi mais acentuado do que seria em um dia normal.

Câmbio também reagiu

O dólar comercial fechou em queda de 0,8%, cotado a R$ 5,20, influenciado pelo mesmo movimento de otimismo com o cenário político. A moeda americana acompanhou a redução do prêmio de risco Brasil, que caiu 3% no CDS (Credit Default Swap) de 5 anos. A combinação de juros futuros mais baixos e câmbio mais favorável alivia a pressão sobre a inflação, abrindo espaço para o Banco Central manter a Selic no patamar atual ou até reduzi-la no próximo ciclo.

Quem paga a conta?

Todo número econômico tem um rosto por trás. A queda das taxas futuras beneficia quem tem dívida atrelada a juros, como empresas e o próprio governo. Mas a pergunta certa é: quem paga a conta da redução da liquidez? Investidores que precisaram vender posições em um mercado mais fino podem ter realizado perdas maiores do que o normal. Além disso, a concentração do pregão em poucas horas pode ter prejudicado pequenos investidores, que nem sempre conseguem reagir tão rápido quanto os grandes fundos.

Próximos passos: o que esperar

Com a pesquisa eleitoral já precificada, o mercado volta sua atenção para a ata do Copom, que será divulgada na próxima terça-feira. A expectativa é que o documento traga mais detalhes sobre a decisão de manter a Selic em 14,25% ao ano, conforme a última reunião do comitê entenda a decisão do Copom. Se a ata indicar uma postura mais branda em relação à inflação, as taxas futuras podem continuar caindo.

Outro fator a ser monitorado é a aprovação da PEC da reforma tributária no Senado. O andamento da proposta pode influenciar o prêmio de risco fiscal e, consequentemente, as taxas de juros de longo prazo.

Perguntas Frequentes

Por que as taxas futuras caíram com a pesquisa eleitoral?

Porque a pesquisa alterou as expectativas do mercado sobre o resultado das eleições, reduzindo a incerteza política e o prêmio de risco embutido nos juros.

O jogo da Copa realmente afetou o mercado?

Sim. O horário reduzido de funcionamento da B3 diminuiu a liquidez, amplificando os movimentos de preço e tornando o mercado mais sensível a notícias.

Quais foram os contratos de DI que mais caíram?

Os contratos com vencimento em janeiro de 2027 e janeiro de 2029 foram os que registraram as maiores quedas, de 0,1 e 0,2 ponto percentual, respectivamente.

O dólar também caiu?

Sim, o dólar comercial fechou em queda de 0,8%, cotado a R$ 5,20, acompanhando a redução do risco Brasil.

O que esperar para os próximos dias?

O mercado acompanha a ata do Copom e a tramitação da reforma tributária no Senado, que podem influenciar as taxas futuras e o câmbio.

Leia também

Publicidade