Tenda (TEND3): recordes de lançamentos e vendas no 2º trimestre
A Tenda (TEND3) reportou recordes de lançamentos e vendas líquidas no 2º trimestre de 2024, impulsionada pelo programa Minha Casa Minha Vida. Os dados sinalizam recuperação operacional e podem redefinir as expectativas do mercado para a construtora.
A Tenda (TEND3) divulgou na noite de 13 de agosto de 2024 os resultados do 2º trimestre, com recordes históricos de lançamentos e vendas líquidas. Os números superaram as projeções do mercado e reacenderam o debate sobre o valuation da construtora focada no programa Minha Casa Minha Vida.
A Tenda (TEND3) registrou recordes históricos de lançamentos e vendas líquidas no 2º trimestre de 2024. Os lançamentos atingiram R$ 2,1 bilhões, alta de 78,2% ante o 2T23. As vendas líquidas somaram R$ 1,9 bilhão, crescimento de 56,2%. O VGV lançado foi de R$ 2,1 bilhões e o VGV vendido, de R$ 1,9 bilhão.
Recordes que chamam atenção
O 2T24 marcou o melhor trimestre da história da Tenda em termos de lançamentos e vendas. A empresa atribui o desempenho à retomada do Minha Casa Minha Vida, que responde por mais de 90% de seu VGV. Segundo o release oficial, a companhia lançou 17 empreendimentos no período, contra 11 no 2T23.
O VGV (Valor Geral de Vendas) lançado de R$ 2,1 bilhões representa um crescimento de 78,2% em relação aos R$ 1,18 bilhão do 2T23. Já o VGV vendido, de R$ 1,9 bilhão, superou em 56,2% os R$ 1,22 bilhão registrados um ano antes.
O que explica o salto
Três fatores principais sustentam os recordes. Primeiro, a aceleração dos lançamentos: a Tenda elevou o ritmo de abertura de novos empreendimentos, especialmente em regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo, a velocidade de vendas (VSO) subiu para 70% no trimestre, contra 65% no 2T23. Terceiro, o ticket médio dos imóveis vendidos ficou em torno de R$ 220 mil, dentro da faixa do Minha Casa Minha Vida.
O programa habitacional do governo federal, relançado em 2023, ampliou o subsídio para famílias de baixa renda e reduziu os juros. Isso turbinou a demanda por imóveis econômicos, nicho onde a Tenda é líder. A empresa opera com margem bruta de 32,5% no trimestre, estável ante o 2T23.
Impacto nos resultados financeiros
A receita líquida da Tenda no 2T24 somou R$ 1,1 bilhão, alta de 38% sobre o 2T23. O lucro bruto atingiu R$ 358 milhões, com margem bruta de 32,5%. O EBITDA ajustado ficou em R$ 187 milhões, crescimento de 52%.
O fluxo de caixa operacional, porém, ainda preocupa. A geração de caixa foi negativa em R$ 95 milhões no trimestre, reflexo do alto volume de lançamentos e investimentos em terrenos. A dívida líquida subiu para R$ 1,2 bilhão, mas a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA caiu de 2,3x para 1,9x.
O mercado reagiu?
As ações TEND3 subiram 4,5% no pregão seguinte à divulgação, aos R$ 12,30. O papel acumula alta de 18% em 2024, mas ainda negocia a 8x o lucro estimado para 2025, abaixo da média histórica do setor (11x). Analistas do BTG Pactual e do Itaú BBA elevaram o preço-alvo para R$ 16,50 e R$ 15,00, respectivamente, citando a consistência operacional.
Para o dono de PME que acompanha o mercado, a lição é clara: empresas que acertam o posicionamento em programas governamentais estáveis podem gerar retornos acima da média. Mas o caixa fala antes do balanço, e o fluxo de caixa negativo da Tenda no trimestre exige cautela.
Perspectivas para o 2º semestre
A Tenda projeta lançar mais R$ 2,5 bilhões em VGV no 2S24, com 25 novos empreendimentos. Se mantiver a velocidade de vendas atual, pode fechar o ano com VGV vendido recorde de R$ 4,5 bilhões. O guidance da empresa para 2024 prevê margem bruta entre 32% e 34% e receita líquida entre R$ 4,2 bilhões e R$ 4,5 bilhões.
O risco principal é a alta dos juros. O Banco Central manteve a Selic em 10,5% ao ano na última reunião, mas o mercado já precifica cortes apenas em 2025. Juros mais altos encarecem o crédito imobiliário e podem frear a demanda, especialmente no segmento de médio padrão. A Tenda, focada no Minha Casa Minha Vida, é menos sensível a esse movimento, mas não imune impacto dos juros no setor imobiliário.
Perguntas Frequentes
O que significa VGV?
VGV (Valor Geral de Vendas) é a soma do valor total de todos os imóveis lançados ou vendidos por uma incorporadora em um período. É o principal indicador de volume do setor.
Tenda paga dividendos?
A Tenda não paga dividendos regulares. A empresa prioriza o reinvestimento dos lucros em novos terrenos e lançamentos. A política de dividendos é revisada anualmente.
Qual a diferença entre Tenda e Alea?
A Alea é a marca de médio padrão da Tenda, voltada para imóveis entre R$ 350 mil e R$ 600 mil. A Tenda foca no segmento econômico (até R$ 350 mil), dentro do Minha Casa Minha Vida.
TEND3 é uma boa ação para 2025?
Depende do cenário macroeconômico. Se os juros caírem e o Minha Casa Minha Vida for mantido, a Tenda tende a performar bem. O valuation atual (8x lucro) sugere potencial de alta, mas o fluxo de caixa negativo requer monitoramento.
Como a Tenda se compara a outras construtoras?
A Tenda é a maior do segmento econômico no Brasil. Concorre com MRV, Direcional e Cury. Sua vantagem é a especialização no Minha Casa Minha Vida, com margens mais estáveis que as concorrentes de médio padrão.
Quando saem os resultados do 3T24?
A Tenda divulga os resultados do 3T24 até 14 de novembro de 2024, conforme o calendário da B3. O mercado espera novo recorde de vendas, mas com menor margem devido ao mix de produtos.