Vamos (VAMO3): lucro líquido ajustado de R$ 101 mi no 2T26, alta de 21,8%
A Vamos (VAMO3) divulgou lucro líquido ajustado de R$ 101,1 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 21,8% ante o mesmo período de 2025. O resultado veio em linha com as estimativas da LSEG e marca a estreia da nova diretoria, com Christian Hahn na presidência interina.
Vamos (VAMO3) tem lucro líquido ajustado de R$ 101 mi no 2T, alta anual de 21,8%
O aperto no bolso de quem depende de locação de caminhões e carretas para trabalhar começa a afrouxar. A Vamos (VAMO3), uma das maiores locadoras de veículos pesados do país, divulgou na noite desta terça-feira (11) seus resultados do segundo trimestre de 2026. O lucro líquido ajustado somou R$ 101,1 milhões, alta de 21,8% na comparação com o mesmo período de 2025. O número, que pode parecer modesto para uma companhia do porte da Vamos, veio praticamente em linha com as estimativas compiladas pela LSEG, que apontavam para lucro líquido de R$ 1,46 bilhão.
Resposta direta: A Vamos (VAMO3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 101,1 milhões no 2T26, alta de 21,8% ante o 2T25. O Ebitda ajustado ficou em R$ 971,5 milhões, com alta de 6,6%. A receita líquida consolidada somou R$ 1,56 bilhão, avanço de 10,8%. A alavancagem (dívida líquida/Ebitda) caiu de 3,39x para 3,00x em um ano.
O que mudou na diretoria da Vamos e por que isso importa
Este é o primeiro balanço sob a nova diretoria. Christian Hahn assumiu a presidência interina da Vamos no lugar de Gustavo Couto. Hahn já fazia parte do grupo Simpar (SIMH3) há cerca de nove anos e ajudou a estruturar a própria Vamos em sua fundação, à frente do segmento de concessionárias, que depois deu origem à rede Automob.
A troca não parou na presidência. Rodrigo Faria tornou-se CFO e Diretor de Relações com Investidores no lugar de José Cezário, que apresentou renúncia em 10 de agosto de 2026 por questões pessoais. Faria acompanha a Vamos desde o IPO, quando era gestor de fundos na Sul América Investimentos, uma das maiores acionistas da oferta, e ingressou no grupo há cerca de dois anos.
"Chegou o momento de retornar com algumas mudanças no nosso time e mais recente agora então a do Rodrigo", afirmou Hahn, em entrevista ao InfoMoney, se referindo ao novo CFO.
Lucro sem ajustes e a ausência de efeitos não recorrentes
Sem ajustes, o lucro líquido também ficou em R$ 101 milhões, com alta de 9% na comparação anual. A explicação é simples: não houve efeitos não recorrentes relevantes no trimestre. "Não tem absolutamente nada não recorrente. Fazia tempo que eu não via um trimestre tão limpo quanto o do segundo trimestre", disse Faria.
Para quem acompanha balanços, essa é uma mudança de tom relevante. A Vamos vinha acostumando o mercado a números cheios de ajustes. Agora, o resultado contábil e o ajustado praticamente se igualam, o que dá mais transparência para o investidor que tenta separar o joio do trigo.
Receita, ocupação da frota e a meta de 90%
A receita líquida consolidada somou R$ 1.564,3 milhões, alta de 10,8% ante o 2T25. O destaque operacional ficou com a taxa de ocupação da frota, que atingiu 89% em junho, a maior desde 2020. O incremento foi de 1 ponto percentual sequencial pelo quarto trimestre consecutivo. Falta apenas 1 ponto para a meta de 90% estabelecida no guidance para o fim do ano.
A alavancagem (dívida líquida/Ebitda) recuou de 3,39 vezes no 2T25 para 3,00 vezes, uma redução de mais de 10% em um ano. Com isso, a companhia já atingiu a meta que havia estabelecido para dezembro, antecipando o alvo em seis meses.
"A gente acelerou um processo que organicamente eu já estava fazendo. Isso me antecipou seis meses em relação ao alvo deste ano, sem diluição para o investidor", disse Faria, citando o aporte de R$ 600 milhões feito pelo BNDES Par via aumento de capital privado, que elevou a base acionária sem diluir o lucro por ação.
Dívida líquida e a estratégia de caixa
A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 11.561,1 milhões, queda de 6,1% na comparação anual. A companhia afirmou, no comunicado de resultados, que a maior geração de caixa operacional, combinada à menor necessidade de Capex Líquido e à injeção de R$ 600 milhões do aumento de capital privado, permitiu reduzir o saldo de dívida líquida para fins de covenants em 4% em relação a março e amortizar, pelo terceiro trimestre consecutivo, o saldo de cessão de recebíveis.
O Capex contratado somou R$ 1.554,2 milhões no trimestre, alta de 59,6% ante o 2T25, com destaque para o setor de varejo e e-commerce. O aumento do investimento, em um momento de queda da alavancagem, sugere que a companhia está conseguindo crescer sem se endividar mais.
Seminovos: receita postergada e o efeito Move Brasil
No segmento de Seminovos, o volume de ativos vendidos cresceu 30% no trimestre, mas a receita avançou apenas 11,4%. A explicação está no mix, mais concentrado em carretas, ativos de ticket médio bem mais baixo que caminhões.
Segundo os executivos, a demanda por usados poderia ter sido ainda maior não fosse a segunda fase do programa Move Brasil, que direcionou boa parte do crédito disponível para a compra de veículos novos, represando clientes que aguardavam contemplação. "É uma receita de seminovos que foi postergada. Esses 11% que você está vendo aqui têm potencial para ser mais", afirmou Faria.
A margem Ebitda de seminovos ficou positiva em 0,9%, dentro do guidance. Na divisão industrial (BMB e Truckvan), a receita líquida cresceu 30,3% no trimestre, com alavancagem operacional positiva.
Eficiência e o novo produto "Ciclo Vamos"
A estratégia da nova diretoria passa por eficiência. "Estamos conseguindo provar que por eficiência e autossuficiência em alugar ativo, seja alugando ele de novo ou vendendo aquele ativo que está ocioso. A gente tem melhorado a ocupação, tem gerado mais caixa sem precisar comprar ativos para crescer de locação, porque eu já tenho um ativo dentro de casa, é só necessário alugar", disse Faria.
Para os próximos trimestres, a Vamos aposta em uma frente mais forte de tecnologia, com telemetria e sistemas de controle de frota e estoque, e na preparação de um novo produto, batizado provisoriamente de "Ciclo Vamos". A ideia é manter o cliente em recorrência por meio de extensões de contrato, renovações antecipadas e novas locações ao final de cada ciclo.
Hahn também sinalizou a possibilidade de prazos de locação mais curtos no futuro, hoje concentrados entre 24 e 36 meses, incluindo contratos mais flexíveis inspirados em modelos mais maduros do mercado internacional.
A companhia reforçou a estrutura comercial com quatro diretorias dedicadas a regiões e segmentos específicos, aposta na expansão da intralogística, segmento com contratos mais longos e yields mais altos, e prepara um novo site de vendas de seminovos com processo quase inteiramente online, além da abertura de novas lojas físicas ao longo do segundo semestre.
O que esperar dos próximos balanços da Vamos
A leitura que fica é de uma companhia que está colhendo os frutos da disciplina financeira. A alavancagem caiu, a ocupação subiu e o lucro veio sem muletas contábeis. A dúvida que fica é se a nova diretoria vai sustentar esse ritmo de geração de caixa sem depender de novos aportes. como analisar balanços de locadoras de veículos
Para o investidor pessoa física, o balanço da Vamos reforça a importância de olhar além do lucro líquido. A ocupação da frota e a alavancagem são termos que fazem toda a diferença no longo prazo. entenda o que é Ebitda e como usá-lo
Perguntas Frequentes
A Vamos é do grupo Simpar?
Sim. A Vamos (VAMO3) pertence ao grupo Simpar (SIMH3), que também controla outras empresas do setor de logística e locação.
Qual foi o lucro líquido ajustado da Vamos no 2T26?
O lucro líquido ajustado foi de R$ 101,1 milhões, com alta de 21,8% na comparação com o 2T25. Sem ajustes, o lucro foi de R$ 101 milhões, alta de 9%.
O que é o Ebitda ajustado e qual foi o valor no trimestre?
O Ebitda é o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações. O Ebitda ajustado da Vamos no 2T26 foi de R$ 971,5 milhões, alta de 6,6% anual.
Quem é o novo CFO da Vamos?
Rodrigo Faria assumiu como CFO e Diretor de Relações com Investidores no lugar de José Cezário, que renunciou em 10 de agosto de 2026.
A Vamos atingiu a meta de alavancagem?
Sim. A alavancagem (dívida líquida/Ebitda) recuou para 3,00 vezes, atingindo a meta que a companhia havia estabelecido para dezembro, com seis meses de antecedência.