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Fundos imobiliários que rendem mais que a Selic de 14%

ResumoFundos imobiliários listados na B3 apresentam rendimentos acima da Selic de 14% ao ano, conforme levantamento do InfoMoney. A redução da taxa básica pelo Copom não eliminou a vantagem de certos FIIs, que distribuem proventos superiores ao patamar de juros. A persistência desses rendimentos decorre de contratos de aluguel atrelados à inflação e de ativos com alta demanda locacional.

O Copom reduziu a Selic para 14% ao ano, mas vários fundos imobiliários seguem distribuindo rendimentos acima desse patamar. Levantamento do InfoMoney mostra quantos e por que isso acontece.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 08 de agosto de 2026
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Fundos imobiliários que rendem mais que a nova Selic de 14%

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu os juros básicos para 14% ao ano, mas a taxa continua alta, embutindo um juro real de quase 9% ao ano. Mesmo assim, vários fundos imobiliários vêm distribuindo rendimentos que superam a Selic. Nós separamos a tecnologia do hype: aqui, o que importa é o dado, não a promessa.

Quantos fundos imobiliários pagam mais que a Selic?

Levantamento feito pelo InfoMoney com dados da Economática mostra que 8 entre 34 fundos imobiliários com mais de R$ 1 bilhão de patrimônio e sem perdas nas cotas no ano apresentaram um retorno nominal em dividendos em 12 meses superior aos 14% da nova Selic.

Mas há um detalhe que muda o jogo: os fundos imobiliários são isentos de imposto de renda. Se considerarmos o ganho líquido, ou seja, descontando o imposto de pelo menos 15% dos 14% da Selic, o ganho final para o investidor cairia para 11,90% ao ano. Nesse cenário, o número de fundos que supera o juro básico sobe para 20 dos 34.

Por que os fundos ainda rendem mais que a Selic?

"Quando a gente faz a conta do dividend yield de muitos fundos, eles estão rodando muito próximos de um CDI descontado a alíquota de imposto de 15% sobre a aplicação, inclusive fundos de tijolos", afirma Marx Gonçalves, head de fundos listados da XP Investimentos.

Ele cita o Vinci Logistica e o XP Logística como exemplos de fundos de tijolos, com ganhos próximos de 95% do CDI líquido. No caso dos fundos de papel, o ganho é ainda maior, assim como nos fundos de fundos multiestratégia. "Mas é importante comparar a aplicação com a renda fixa já deduzido o imposto", diz.

A explicação técnica: a queda do preço da cota diante de um mesmo nível de provento aumenta o retorno em dividendos. É matemática simples, mas que exige atenção.

O que está pressionando as cotas dos FIIs?

Gonçalves destaca que os fundos imobiliários em geral estão com suas cotas desvalorizadas diante de uma pressão que já vem há três meses por conta da alta dos juros dos títulos longos do governo, e que voltou a se acentuar neste início de mês. O índice fundos imobiliários da B3, o IFIX, acumula queda de 0,4% no ano até 6 de agosto.

Mas, em termos operacionais, a maioria desses fundos está indo muito bem. Para Gonçalves, esse movimento lembra ao investidor que o investimento no fundo imobiliário é de médio e longo prazo, para que ele tenha conforto nessas oscilações de curto prazo no preço das cotas. "Faz parte da estratégia de investimento nessa classe de ativos", diz.

O corte de juros já estava nos preços

O corte de juros do Copom já estava nos preços do mercado e, desse modo, não houve impacto considerável nos fundos imobiliários no curto prazo, diz Matheus Jaconeli, analista de investimentos e portfólio da ZIIN DTVM. E as perspectivas para o final do ciclo de redução da Selic estimam apenas mais um corte tímido, para 13,75%, mantendo o juro real em patamar elevado.

Mesmo assim, há fundos que pagam mais que a Selic, especialmente os high yield, que aplicam em papéis de maior risco, diz Jaconeli.

O que observar antes de comprar um FII

Jaconeli destaca a importância de o investidor observar a carteira do fundo. Se estiver em papéis ou recebíveis imobiliários, a qualidade dos devedores. Se em imóveis, os riscos de vacância ou queda de receita no caso de shoppings e galpões logísticos.

Gonçalves, da XP, reforça que o retorno em dividendos é importante, mas é secundário em relação a outros pontos:

  • Qualidade do gestor e da governança do fundo
  • Portfólio: se é de títulos de baixo risco ou imóveis de qualidade e bem localizados, no caso dos de tijolos
  • Preço das cotas em relação ao patrimônio

"Não adianta comprar uma cota de uma ótima gestora com ótimos imóveis no preço errado, porque no final sua rentabilidade vai ser mais baixa", diz Gonçalves.

Rentabilidade passada não garante ganho futuro

Rentabilidade passada não é garantia de ganho futuro, mas o levantamento mostra que há um bom número de fundos imobiliários com retorno considerável. Entender a tecnologia por baixo do hype, ou seja, a estrutura do fundo e o que gera o rendimento, é o que protege o investidor de decisões baseadas apenas no número da cota.

Para quem busca diversificação, vale comparar com outras classes de renda variável e fixa, sempre considerando o imposto de renda em cada caso. como investir em fundos imobiliários o que é dividend yield Selic e renda fixa

Perguntas Frequentes

Quantos fundos imobiliários rendem mais que a Selic de 14%?

Segundo o InfoMoney, 8 entre 34 fundos com mais de R$ 1 bilhão de patrimônio e sem perdas no ano superam os 14% em termos nominais. Considerando o ganho líquido, com imposto de 15%, o número sobe para 20.

Os fundos imobiliários pagam imposto de renda?

Não. Os fundos imobiliários são isentos de imposto de renda para pessoa física, o que aumenta o ganho líquido quando comparado à renda fixa tributada.

O que é dividend yield?

É o retorno em dividendos sobre o preço da cota. Quando a cota cai e o provento se mantém, o dividend yield sobe.

Por que as cotas dos FIIs estão caindo?

Por causa da alta dos juros dos títulos longos do governo, que pressiona o preço das cotas há três meses, segundo a XP.

O que é IFIX?

É o índice de fundos imobiliários da B3, que acumula queda de 0,4% no ano até 6 de agosto.

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