Bancos entram no 2T sob pressão da inadimplência; veja favoritos de JPMorgan e UBS BB
Com a inadimplência em alta, os bancos brasileiros iniciam o segundo trimestre sob pressão. Analistas do JPMorgan e do UBS BB revisam carteiras e apontam seus favoritos para o período, entre papéis defensivos e ações de recuperação.
A inadimplência voltou a apertar o caixa dos bancos brasileiros neste início de 2026. O pequeno e médio empresário que depende de crédito para girar o negócio sente na pele: as taxas sobem, as aprovações encolhem, e o banco aperta o cerco. Para quem investe em ações do setor, o cenário exige separar o joio do trigo. Analistas do JPMorgan e do UBS BB acabaram de revisar suas carteiras para o segundo trimestre, e há nomes que se destacam tanto pela defesa quanto pela recuperação.
Bancos entram no 2T de 2026 sob pressão da inadimplência, que segue elevada. O JPMorgan e o UBS BB atualizaram suas carteiras recomendadas para o setor. Entre os favoritos estão Itaú (ITUB4), por sua qualidade de crédito, e Banco do Brasil (BBAS3), por valuation atrativo. Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) completam a lista, com ressalvas.
O cenário macro aperta o crédito
A taxa Selic, que encerrou maio em 9,75% (Banco Central, mai/2026), ainda pressiona o custo do crédito. Com juros altos por mais tempo, a inadimplência das pessoas físicas e das pequenas empresas tende a subir. O Banco Central já indicou que a inadimplência do sistema financeiro subiu de 3,2% para 3,5% entre janeiro e abril de 2026 (BC, Relatório de Estabilidade Financeira, abr/2026). Para o dono de PME, isso significa menos crédito disponível e mais burocracia na hora de renovar um empréstimo.
Os favoritos do JPMorgan e do UBS BB
Itaú Unibanco (ITUB4): a defesa de sempre
O Itaú é o nome mais consensual entre os analistas. O JPMorgan o classifica como overweight (acima da média do mercado), destacando a provisão para devedores duvidosos (PDD) mais enxuta que a dos pares (JPMorgan, relatório de ações, abr/2026). Na prática, o banco consegue emprestar com menos risco de calote. O UBS BB também o inclui como top pick, com preço-alvo de R$ 38 para o papel (UBS BB, relatório setorial, mai/2026).
Banco do Brasil (BBAS3): valuation que atrai
O Banco do Brasil aparece como a aposta de valor. O JPMorgan recomenda compra, citando o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 18% e o múltiplo P/VPA de 1,2 vez, abaixo da média histórica (JPMorgan, relatório de ações, abr/2026). O UBS BB concorda e vê potencial de alta de 15% com a redução do spread bancário no crédito consignado. Para quem busca dividendos, o BB paga cerca de 7% ao ano.
Bradesco (BBDC4): recuperação em andamento
O Bradesco é a aposta de recuperação. O UBS BB elevou a recomendação para compra, depois de anos de reestruturação (UBS BB, relatório setorial, mai/2026). O JPMorgan é mais cauteloso, com recomendação neutra, mas reconhece que a inadimplência no varejo está cedendo. O banco ainda sofre com a exposição a crédito consignado e a PMEs, mas a margem financeira começa a reagir.
Santander (SANB11): o risco-retorno mais alto
O Santander é o mais volátil da lista. O JPMorgan recomenda overweight, apostando na melhora da eficiência operacional (JPMorgan, relatório de ações, abr/2026). O UBS BB, porém, mantém neutro, citando a inadimplência elevada no segmento de veículos. Para o investidor com maior tolerância a risco, o papel pode entregar retornos acima da média se a economia acelerar no segundo semestre.
O que o pequeno empresário deve olhar
Se você é dono de PME e depende de crédito, o momento exige cautela. A inadimplência dos bancos está subindo, e isso aperta a oferta de empréstimos. Antes de contratar uma dívida, verifique o CET (Custo Efetivo Total) e compare com a taxa básica. O Banco Central oferece o site de comparação de taxas, que reúne dados de todas as instituições (BC, Taxas de Crédito, mai/2026). Não confie só no gerente: o spread bancário médio para pessoa física está em 38% ao ano.
Riscos que podem mudar o jogo
Nenhuma recomendação de analista é garantia. Os riscos para o setor bancário no 2T incluem: nova alta da Selic, piora da inadimplência além do esperado e desaceleração econômica. O JPMorgan alerta que um ciclo de aperto monetário adicional pode derrubar o lucro dos bancos em até 10% (JPMorgan, relatório de risco, abr/2026). Fique de olho nos dados do PIB e do emprego, que saem em junho.
Perguntas Frequentes
Qual o melhor banco para investir em ações no 2T?
Para o JPMorgan e o UBS BB, o Itaú (ITUB4) é o nome mais defensivo, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) oferece valuation atrativo. A escolha depende do seu perfil de risco.
A inadimplência vai continuar subindo?
Segundo o Banco Central, a inadimplência subiu de 3,2% para 3,5% entre janeiro e abril de 2026 (BC, REF, abr/2026). A tendência é de estabilização, mas depende da Selic e do emprego.
O que é PDD e por que importa?
PDD é a provisão para devedores duvidosos, o dinheiro que o banco separa para cobrir calotes. Quanto menor a PDD, melhor a qualidade da carteira de crédito.
Vale a pena comprar ações de bancos agora?
Depende do seu horizonte. Para o curto prazo, o cenário de inadimplência gera volatilidade. Para o longo prazo, bancos como Itaú e Banco do Brasil pagam bons dividendos e têm histórico de recuperação.
Como o pequeno empresário se protege da inadimplência?
Mantenha o fluxo de caixa enxuto, negocie prazos com fornecedores e evite dívidas com juros altos. Consulte o site do Banco Central para comparar taxas de crédito.