Economia

BofA vê Selic a 11,25% em 2027 e ações que ganham com cortes

ResumoO Bank of America projeta a Selic em 11,25% ao ano no fim de 2027, conforme revisão divulgada em 2026. O banco mantém preferência por empresas sensíveis à queda de juros, com destaque para Equatorial, Ecorodovias e Allos. A projeção orienta a alocação em ações domésticas cíclicas e ligadas a infraestrutura.

O Bank of America revisou a projeção da Selic para 11,25% no fim de 2027 e mantém preferência por empresas sensíveis a juros. Equatorial, Ecorodovias e Allos estão entre os destaques do banco.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 14 de setembro de 2026
BofA vê Selic a 11,25% em 2027 e ações que ganham com cortes

Quem investe em renda variável sabe que a Selic dá o tom. O Bank of America (BofA) revisou sua projeção para o fim de 2027 e agora vê a taxa básica em 11,25%, ante 12,75% na estimativa anterior. O banco espera cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões do Banco Central até dezembro de 2027, num cenário de atividade mais fraca, inflação comportada e crédito crescendo menos.

Para 2026, a expectativa ao fim do período caiu de 13,75% para 13,25%. A Selic meta segue em 14,00% em setembro de 2026, segundo o Banco Central.

O que são bond proxies e por que o BofA olha para elas

Bond proxies são empresas com resultados previsíveis e desempenho parecido com o de títulos de renda fixa. Quando os juros caem, esse grupo tende a se valorizar. A preferência do BofA recai sobre Equatorial (EQTL3), Ecorodovias (ECOR3) e Allos (ALOS3). A corretora manteve recomendação neutra para os papéis, avaliando que risco e retorno estão equilibrados nos níveis atuais.

Os destaques por setor

A Equatorial é a principal escolha do BofA em energia para um cenário de maior apetite a risco, com sensibilidade aos juros de curto prazo e taxa interna de retorno (TIR) real de cerca de 12%. A Axia (AXIA3) aparece como opção que pode render tanto em ambiente de risco quanto defensivo, com dividend yield estimado entre 11% e 15% em 2026 e 2027.

Para quem prefere cautela, a ISA Energia (ISAE4) é a principal escolha defensiva, com TIR real de aproximadamente 10% e potencial de alta superior a 15% caso seja solucionada sua obrigação previdenciária.

Em infraestrutura, o BofA prefere Motiva (MOTV3) e Ecorodovias à Rumo (RAIL3). A Ecorodovias tem a maior TIR real entre as bond proxies, de cerca de 17%, e pode superar o setor se os cortes vierem mais rápidos. A Motiva é vista como alternativa defensiva, com TIR real de aproximadamente 11%. A Rumo tem TIR real de 9,7%, mas depende da recuperação do ciclo de grãos, ainda incerto.

Nos shoppings, o BofA mantém a Allos como principal escolha, mesmo considerando as TIRs do setor pouco atrativas. A empresa negocia a 9 vezes o P/FFO estimado para 2027 e tem dividend yield projetado de 13%.

O banco mantém postura cautelosa com Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3), com TIRs implícitas de 9,2% e 8,9%, abaixo de outras empresas sensíveis a juros. Múltiplos próximos de 4 vezes o EV/Ebitda podem representar um piso para os papéis, especialmente entre estrangeiros.

Se você está montando posição para os próximos anos, vale acompanhar como o ciclo de cortes se confirma na prática. Para entender o impacto na renda fixa, veja como a Selic afeta o Tesouro Direto.

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