Social commerce no Brasil: criador de conteúdo virou vendedor
O social commerce explode no Brasil: criadores de conteúdo viram vendedores dentro de marketplaces e redes sociais. Veja os números do Mercado Livre, Shopee e as projeções para 2026.
Criador de conteúdo virou vendedor: a 'explosão' do social commerce no Brasil
Você já comprou um produto depois de ver um vídeo no Instagram ou TikTok? Se sim, você participou do social commerce, um formato que está transformando criadores de conteúdo em vendedores. No Brasil, esse movimento ganha força com marketplaces como Mercado Livre e Shopee investindo pesado em programas de afiliados.
O que é social commerce? É a transação de compra e venda em mídias sociais ou em plataformas com ferramentas conectadas a elas. Um dos formatos mais vencedores é o live shopping, em que produtos são apresentados em vídeos e transmissões ao vivo por criadores. Para incentivar os melhores criadores e gerar fidelidade, marketplaces e plataformas constroem programas de afiliados.
O tamanho do mercado: bilhões em jogo
O social commerce deverá ser um mercado de US$ 2,11 trilhões em 2026, segundo projeções da Mordor Intelligence. Já a Track360 e a consultoria eMarketer apontam que a indústria global de marketing de afiliados deverá chegar a US$ 24,7 bilhões ainda neste ano. Outra pesquisa, da Research and Markets, coloca o Brasil entre os países onde o social commerce mais deverá crescer, com um salto de R$ 18,4 bilhões em 2024 para R$ 35,6 bilhões até 2030.
Essa escala faz sentido num mercado que é considerado o segundo maior do mundo. Em 2025, segundo números de IAB Brasil e Ibope, a creator economy atraiu cerca de R$ 23 bilhões de investimento anunciante, crescimento de 15% na comparação com o ano anterior.
Mercado Livre: 30 criadores em Cannes e 168 pedidos por minuto
Durante o Lions deste ano, 30 criadores de conteúdo latinos circularam por Cannes com acessórios amarelos do Mercado Livre. Thaynara OG, Evelyn Regly, Thaís Carla e Gizelly Bicalho estavam entre as 17 brasileiras do grupo. Renata Gerez, diretora de social commerce Latam do Mercado Livre, explica que a viagem faz parte de um projeto para "cada vez mais reconhecer os afiliados e o criador pelo impacto que eles geram".
O investimento parece justificar o retorno. "No fim de 2025, a gente tinha cerca de 88 pedidos por minuto gerados através do programa de afiliados e criadores; e, neste primeiro trimestre de 2026, esse número saltou para 168 pedidos por minuto", diz Renata. Os usuários gastaram, no último trimestre, mais de 6 milhões de horas navegando por clipes e vídeos com ofertas de produtos dentro do aplicativo.
Se contabilizadas apenas passagens aéreas, hospedagem e credenciais para os principais eventos do Lions, estima-se que o Mercado Livre tenha desembolsado ao menos R$ 1,6 milhão no programa que levou 30 afiliadas a Cannes.
Shopee: lives aumentam vendas em até 10 vezes
A Shopee, que nasceu na Ásia e expandiu para o Brasil, também aposta no social commerce. Segundo dados da empresa, os pedidos gerados por afiliados cresceram mais de 200% na comparação entre abril deste ano e o mesmo período de 2025. O número de novos inscritos no programa aumentou 60%. Os vendedores que fazem lives com produtos aumentam suas vendas em até dez vezes, na comparação com dias sem transmissões.
Stephanie Sant'Anna, head de social commerce do marketplace, diz que o programa tem "mais de 5 milhões de afiliados cadastrados". Os criadores locais aplicam dinâmicas com apelo ao público brasileiro: mais entretenimento, interatividade e benefícios como cupons e cashback, conectados a táticas de gamificação como moedas e recomendações.
A conexão com a venda direta tradicional
Ao colocar os afiliados na mistura, conecta-se uma antiga atividade de muito sucesso no Brasil: a venda a partir de catálogos físicos, com representantes de marcas visitando casas de porta em porta. "Gosto de explicar esse movimento como uma versão contemporânea da venda direta e, nesse sentido, marcas como Avon e Natura, que já aprenderam há anos como fazer isso, ainda que no modo 'offline', têm muito a ensinar", diz Rafaela Lotto, CEO da consultoria YouPix.
O que isso significa para você?
Se você é criador de conteúdo, o social commerce abre uma nova fonte de renda: você pode recomendar produtos e ganhar comissão. Se você é consumidor, o formato muda a forma de comprar, com descoberta por entretenimento e compra por impulso. As marcas, por sua vez, passaram a enxergar os influenciadores como instrumentos diretos de conversão. "Os times de performance começaram a perceber o que os times de marketing já sabiam e não podiam provar: conteúdo com creator vende mais", diz Rafaela Lotto. Estudos da YouPix revelam resultados quatro vezes maiores de conversão de campanhas com creators em comparação com as que usaram apenas ativos produzidos pela própria marca.
Alertas do crescimento acelerado
Como qualquer fenômeno de crescimento acelerado, o social commerce também traz alertas. A proliferação desses conteúdos revolve aspectos adictivos das redes sociais. Também são pontos de atenção a inserção de inteligência artificial na jornada de compra e a publicidade irregular em meio ao fluxo massivo dos criadores.
Perguntas Frequentes
O que é social commerce?
É a transação de compra e venda em mídias sociais ou plataformas com ferramentas conectadas a elas, como o live shopping, em que produtos são apresentados em vídeos ao vivo por criadores.
Quanto o social commerce vai movimentar em 2026?
O mercado global deve chegar a US$ 2,11 trilhões em 2026, segundo a Mordor Intelligence. No Brasil, a Research and Markets projeta salto de R$ 18,4 bilhões em 2024 para R$ 35,6 bilhões até 2030.
Como o Mercado Livre está investindo em social commerce?
O Mercado Livre levou 30 criadores a Cannes, com investimento estimado em R$ 1,6 milhão, e registrou 168 pedidos por minuto via afiliados no 1º trimestre de 2026.
Como a Shopee usa o social commerce?
A Shopee tem mais de 5 milhões de afiliados cadastrados, e os pedidos gerados por afiliados cresceram mais de 200% em abril de 2026 versus abril de 2025. Vendedores que fazem lives aumentam as vendas em até 10 vezes.
Quais os riscos do social commerce?
Os alertas incluem aspectos adictivos das redes sociais, a inserção de inteligência artificial na jornada de compra e a publicidade irregular em meio ao fluxo de criadores.
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