Wall Street cai após Fed elevar juros e sinalizar aperto
Fed eleva juros pela primeira vez em mais de três anos e sinaliza mais aperto à frente. Dow Jones recua 1,21% e ações de energia sofrem o maior tombo do S&P 500, com Chevron e Exxon em queda.
O Federal Reserve elevou sua taxa básica de juros pela primeira vez em mais de três anos, decisão unânime, e sinalizou que é provável haver mais aperto monetário no futuro próximo para acelerar a queda da inflação. A reação em Nova York veio na mesma direção: o Dow Jones Industrial Average recuou 1,21%, a 51.461,78 pontos, o S&P 500 perdeu 0,44%, a 7.552,14 pontos, e o Nasdaq Composite teve variação negativa de 0,01%, a 25.978,43 pontos.
A decisão ocorre num cenário em que crescem as dúvidas sobre se a inflação conseguirá continuar se moderando sem um novo ajuste na política monetária. Em coletiva após o anúncio, o chair do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a economia dos EUA se fortaleceu desde a última reunião, mas a tendência da inflação mostrou pouca melhora.
Quem sentiu o impacto primeiro
O setor de energia do S&P 500 sofreu a maior queda percentual entre os 11 principais setores, recuando 3,0%, pressionado pelo recuo do petróleo. A Chevron caiu 2,9% e a Exxon Mobil, 3,5%. Devon Energy e ConocoPhillips perderam mais de 5% cada uma.
O Brent para novembro, negociado na ICE de Londres, fechou em queda de 2,69% (US$ 2,92), a US$ 105,83 o barril. O WTI com vencimento mais curto recuou 3,2%. O alívio veio de relatos de que a Arábia Saudita oferecia cargas adicionais de petróleo bruto via Omã, reduzindo o temor de interrupção no abastecimento, após o Brent acumular alta de mais de 20% em duas semanas e meia.
Na contramão, o setor de tecnologia registrou o melhor desempenho do S&P 500, com as ações de chips subindo 0,6%. A Intel avançou 4,0% após relatório indicar negociações com a sul-coreana SK Hynix sobre fabricação de chips de memória nos EUA. A SK Hynix, listada nos EUA, subiu 0,6%.
O que pesou além do Fed
A Robinhood tombou 5,5% depois que o Senado dos EUA não aprovou uma legislação abrangente sobre criptomoedas. O Departamento de Justiça dos EUA acusou, na terça-feira, dois ex-engenheiros da Robinhood de uso de informação privilegiada. A IBM caiu 4,4% após anunciar que a Anderon, sua unidade de chips, assinou acordo de financiamento com o governo dos EUA. A Boeing recuou 3,7% depois que a diretora executiva Kelly Ortberg afirmou que está "demorando mais do que o esperado" para estabilizar a produção do 737 MAX em 47 aeronaves por mês.
No Brasil, a B3 fechou com investidores na expectativa da decisão do Copom, com apostas indicando redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano. Em reação ao Fed, os rendimentos dos Treasuries ganharam força e o dólar avançou ante boa parte das demais divisas, incluindo o real.
Para quem acompanha a renda variável, o movimento desta quarta repete um padrão conhecido: a alta dos juros americanos encarece o crédito, pressiona ações de setores sensíveis e redireciona fluxo para a renda fixa. O estrategista-chefe de mercado do Carson Group, Ryan Detrick, resumiu o tom: "A realidade é que o Fed parece unido na luta contra a inflação."