Azimut reduz multimercados e vê eleição na bolsa
Gestora Azimut Brasil Wealth Management reduz exposição a fundos multimercados em setembro e vê maior peso da eleição presidencial na trajetória da bolsa, com volatilidade elevada e possível novo corte da Selic pelo Copom.
A Azimut Brasil Wealth Management reduziu a recomendação para fundos multimercados em setembro, após desempenho aquém do esperado da classe. Em relatório enviado a clientes, a gestora também projeta maior volatilidade e assimetria nos preços das ações brasileiras por causa da eleição presidencial, mas espera novo corte de juros pelo Banco Central na próxima reunião do Copom.
A decisão de cortar multimercados vem acompanhada de manutenção em juros reais locais, com a gestora citando "o patamar historicamente atrativo dos ativos indexados à inflação". A exposição a taxas prefixadas segue reduzida, diante da menor visibilidade sobre o ritmo de cortes da Selic pelo BC e da alta das taxas longas.
Na bolsa, a Azimut avalia que a proximidade da eleição e uma disputa apertada devem tornar o cenário político cada vez mais relevante para os ativos de risco brasileiros, "que já demonstram certo descolamento em relação aos fatores externos". A volatilidade deve permanecer elevada e só começar a recuar à medida que houver maior visibilidade sobre o resultado eleitoral e, principalmente, indicações sobre a política econômica do próximo governo.
Sobre fundamentos, a gestora considera que o cenário econômico ainda sugere crescimento mais moderado, "embora uma eventual mudança na condução da política econômica possa alterar de forma relevante as perspectivas para os ativos domésticos". A bolsa segue negociando a múltiplos atrativos, "mas ainda carece de um ambiente econômico mais construtivo para uma reprecificação mais consistente".
"Nos próximos meses, portanto, as atenções deverão permanecer concentradas na disputa eleitoral, com potencial de movimentos relevantes e assimétricos nos preços dos ativos conforme evoluam as expectativas em relação ao resultado das urnas e à orientação econômica dos principais candidatos", resume a Azimut.
No câmbio, a gestora observa que o diferencial de juros locais permanece elevado e segue como principal fator de sustentação do real, "mas a trajetória do câmbio deverá continuar condicionada aos passos do Fed, ao comportamento do petróleo e à evolução do quadro fiscal e político doméstico".
Para o investidor com exposição a multimercados, o corte de recomendação sinaliza que a gestora vê pouco espaço para recuperação rápida da classe no curto prazo. A aposta em juros reais e a redução em prefixados indicam preferência por proteção contra a inflação em vez de travar taxas nominais em um cenário de incerteza sobre o ritmo de cortes da Selic.
O relatório não detalha percentuais de alocação nem prazos específicos para revisão da carteira. O que a gestora deixa claro é que a eleição passa a ser o principal vetor de preço para ações e câmbio nos próximos meses, com o Copom como evento intermediário relevante para a renda fixa.