Investimentos

B3 (B3SA3) recupera volumes e bancos miram setembro

ResumoA B3 (B3SA3) registrou volume médio diário de ações de R$ 30,3 bilhões em agosto, alta de 34%, segundo relatórios do JPMorgan, Bradesco BBI e Goldman Sachs. Os bancos apontam recuperação gradual, mas mantêm cautela com o desempenho fraco dos derivativos e a volatilidade esperada para setembro.

A B3 (B3SA3) viu o volume médio diário de ações subir 34% em agosto, para R$ 30,3 bilhões. JPMorgan, Bradesco BBI e Goldman Sachs apontam recuperação, mas seguem atentos aos derivativos fracos e à volatilidade de setembro.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 16 de setembro de 2026
B3 (B3SA3) recupera volumes e bancos miram setembro

A B3 (B3SA3) divulgou na terça-feira os dados operacionais de agosto e mostrou recuperação dos volumes negociados em ações após a fraqueza sazonal de julho. O volume financeiro médio diário (ADTV) de ações subiu 34% ante julho, para R$ 30,3 bilhões, alta de 26% na comparação anual. O indicador voltou aos níveis de maio e junho, segundo o Goldman Sachs.

O movimento interessa a quem investe na companhia: a receita da B3 depende diretamente de quanto se negocia na Bolsa. Mais volume, mais tarifa. Menos volume, mais pressão sobre o resultado.

O que os números de setembro já mostram

Os dados de setembro também apontam melhora. Até o dia 10, o ADTV estava em R$ 31,9 bilhões, enquanto o volume médio diário de contratos (ADV) alcançava 12,4 milhões. Para o Bradesco BBI, os números reforçam a recuperação sequencial. O JPMorgan vê a possibilidade de maior volatilidade em setembro como fator capaz de impulsionar as negociações, com o vencimento de opções e eventuais oscilações ligadas ao cenário eleitoral.

Mesmo assim, o JPMorgan estima o ADTV do terceiro trimestre em aproximadamente R$ 28 bilhões a R$ 28,5 bilhões, abaixo de sua projeção de R$ 29,2 bilhões. O Goldman Sachs projeta queda de 20% ante o segundo trimestre, mas alta de 17% na comparação anual, com os volumes ainda 9% abaixo de sua estimativa de R$ 28,8 bilhões. O Bradesco BBI afirma que suas estimativas revisadas já incorporam contração no trimestre.

Derivativos seguem o elo fraco

Enquanto as ações recuperam, os derivativos não acompanham. Em agosto, o ADV avançou 10,5% ante julho, para 9,6 milhões de contratos, mas a receita média por contrato caiu 3% no mês e 13% em 12 meses, para R$ 1,19. A receita de derivativos listados recuou 2% na comparação mensal e 10% na anual, para R$ 240 milhões.

O Goldman Sachs aponta a ausência de recuperação nos derivativos: a receita trimestral está 21% abaixo de sua estimativa, com a queda de 22% no ADV mais do que compensando o aumento de 4% nas tarifas. O JPMorgan observa que o ADV de setembro já está próximo de 12 milhões de contratos e que uma surpresa positiva dependerá da receita média por contrato.

O mercado de balcão foi na direção oposta. Segundo o Goldman Sachs, os registros cresceram 38% em agosto ante julho e estão 10% acima de sua estimativa. Os volumes sob custódia avançaram 9% no trimestre e 20% em 12 meses. Na renda fixa, os registros ficaram 2% abaixo da estimativa, mas os volumes sob custódia superaram as projeções em 4%. A unidade de financiamento perdeu ritmo, com queda de 1% em agosto e resultado 2% abaixo da estimativa no trimestre: foram financiados 684 mil veículos, enquanto 2,2 milhões foram vendidos.

Apesar das ressalvas, Bradesco BBI e Goldman Sachs mantêm visão positiva. O BBI reiterou compra e preço-alvo de R$ 20,00; o Goldman Sachs, compra e preço-alvo de R$ 21,00. O JPMorgan manteve recomendação neutra e diz que o desempenho de setembro será importante para avaliar o terceiro trimestre.

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