Investimentos

JPMorgan reduz previsão de lucro do Banco do Brasil

ResumoO JPMorgan reduziu o preço-alvo das ações do Banco do Brasil de R$24 para R$22 e cortou a previsão de lucro recorrente para 2026. A revisão reflete expectativa de provisões maiores e inadimplência no cartão de crédito. O banco norte-americano mantém visão cautelosa sobre a rentabilidade do Banco do Brasil diante do atual ciclo de crédito.

Analistas do JPMorgan cortaram o preço-alvo das ações do Banco do Brasil de R$24 para R$22 e reduziram a previsão de lucro recorrente para 2026, citando provisões maiores e inadimplência no cartão de crédito.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 16 de setembro de 2026
JPMorgan reduz previsão de lucro do Banco do Brasil

Analistas do JPMorgan atualizaram as previsões para o Banco do Brasil e cortaram o preço-alvo dos papéis para dezembro de 2027 de R$24 para R$22. O motivo apontado é a perspectiva ainda desafiadora para a carteira de crédito do agronegócio.

Para 2026, a equipe reduziu a previsão de lucro recorrente para R$16,879 bilhões, com retorno sobre o patrimônio (ROE) de 9%. Em 2027, o lucro estimado é de R$23,524 bilhões, 12% menor do que o calculado anteriormente, com ROE perto de 12%.

A recomendação para os papéis, no entanto, foi mantida como neutra. Na bolsa paulista, por volta de 12h35, as ações do BB mostravam acréscimo de 0,59%, a R$22,17, enquanto o Ibovespa cedia 0,04%.

Por que o JPMorgan revisou as estimativas

Entre os fatores citados pelos analistas para a revisão estão a expectativa de maiores despesas com provisões e o forte aumento na inadimplência no cartão de crédito no segundo trimestre. Também pesaram o menor resultado de margem financeira (NII) com o mercado e receitas mais fracas em participações societárias, especialmente da BB Seguridade.

O banco norte-americano reforçou sua preferência por empresas ligadas ao mercado de capitais, como B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11) e XP (BDR: XPBR31), em detrimento a bancos tradicionais. Em análises recentes, Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI reiteraram recomendação neutra para os ativos BBAS3.

A equipe do JPMorgan justificou a postura mais equilibrada em relação ao papel com a volatilidade associada ao cenário eleitoral. "Embora vejamos desafios para o Banco do Brasil, acreditamos que a volatilidade associada ao cenário eleitoral ainda justifica uma postura mais equilibrada em relação ao papel", afirmaram os analistas.

O que isso significa para quem tem BBAS3

A manutenção da recomendação neutra sinaliza que o JPMorgan não vê, no momento, motivo para vender os papéis, mas também não aponta gatilho claro de compra. Para o investidor pessoa física que acompanha o Banco do Brasil, a leitura prática é que a revisão mexe mais nas expectativas de lucro e de retorno do que na tese de curto prazo.

O corte no preço-alvo para R$22, frente à cotação de R$22,17 registrada por volta de 12h35, indica que o papel operava praticamente no nível projetado pelo banco para dezembro de 2027. Já a queda de 12% na estimativa de lucro para 2027 reforça que a recuperação da rentabilidade deve ser mais lenta do que o calculado antes.

Quem organiza o orçamento e usa o banco no dia a dia não sente efeito direto dessa revisão: trata-se de uma projeção de analistas de mercado, não de uma mudança em tarifas, taxas de crédito ou produtos. O impacto fica concentrado em quem tem as ações na carteira.

Vale acompanhar os próximos relatórios de provisões e inadimplência do setor, que foram os pontos centrais da revisão. como montar reserva de emergência

Leia também

Publicidade