WEG vê crescimento pressionado pela alta do real apesar de exterior positivo
A WEG enfrenta pressão cambial com o real valorizado, que reduz a conversão de receitas externas, mesmo com demanda positiva no exterior. No 2º trimestre, lucro líquido caiu 2,1% para R$1,56 bilhão, enquanto Ebitda recuou 2,1% para R$2,21 bilhões. A companhia mantém investimentos
WEG vê crescimento pressionado pela alta do real apesar de exterior positivo
Investidores que acompanham a WEG (WEGE3) desde o início do ano podem ter se surpreendido com a reação do mercado aos resultados do segundo trimestre. As ações caíram 3,55% na quinta-feira, a R$45,09, após fecharem o pregão anterior com alta de 10%. O motivo? O câmbio. A alta do real está pressionando o crescimento da companhia, mesmo com a demanda externa positiva. É um erro comum focar apenas no lucro e ignorar o efeito da moeda na conversão das receitas.
Segundo André Salgueiro, diretor de finanças e relações com investidores da WEG, 'a gente infelizmente vai ter que conviver com o câmbio mais apreciado que, para efeito de conversão, pode gerar menos reais e, consequentemente, menos crescimento em relação à expectativa que a gente tinha no começo do ano'. A afirmação foi feita em teleconferência com analistas na quinta-feira (23), após a divulgação dos resultados do segundo trimestre na véspera.
Resultados do 2º trimestre: lucro e receita em queda
A WEG divulgou na quarta-feira (22) um lucro líquido de R$1,56 bilhão no segundo trimestre, recuo de 2,1% sobre o desempenho de um ano antes. O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$2,21 bilhões, representando queda de 2,1% ano a ano. A receita líquida somou R$10,14 bilhões, recuo de 0,6% na comparação anual.
Apesar dos números negativos, as margens vieram acima do esperado, e a retomada dos negócios industriais reacende a discussão sobre o crescimento da WEG. Mas o valuation elevado e as tarifas dos EUA ainda dividem analistas.
Exterior positivo, mas câmbio atrapalha
Salgueiro acrescentou que a demanda continua positiva no exterior, com entrada de pedidos de equipamentos de ciclo longo, tanto no segmento industrial quanto nos de negócios e transmissão e de distribuição. 'Seguimos confiantes em um cenário mais favorável para o retorno do crescimento da receita no restante do ano, graças ao bom desempenho dos nossos negócios e também devido à normalização da base de comparação em relação a 2025', afirmou.
O câmbio apreciado reduz o valor em reais das receitas geradas fora do Brasil, o que impacta diretamente o crescimento reportado. Para o investidor, isso significa que a WEG pode estar performando bem em volume e demanda, mas o efeito contábil da conversão cambial esconde parte desse desempenho.
Tarifas dos EUA e investimentos
O vice-presidente administrativo-financeiro, André Rodrigues, disse que é difícil estimar o impacto de longo prazo das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, mas destacou que pode haver efeitos na margem consolidada do grupo caso sejam mantidas. Esse é um ponto de atenção para quem investe na companhia, já que os EUA são um mercado relevante para os equipamentos industriais e de transmissão.
A WEG reafirmou sua expectativa de investimentos para o ano de R$3,54 bilhões em ativos imobilizados, além de R$22,4 milhões em ativos intangíveis. Esses recursos devem sustentar a expansão de capacidade e a normalização da base de comparação em 2025.
O que esperar para o restante do ano?
A combinação de demanda externa positiva, retomada industrial e investimentos robustos sugere que a WEG pode voltar a crescer receita no segundo semestre. No entanto, o câmbio continua sendo uma variável imprevisível. Se o real se mantiver apreciado, o crescimento em reais pode ficar abaixo das expectativas iniciais.
Para o investidor pessoa física, a lição é clara: ao analisar empresas com exposição cambial significativa, é preciso olhar além do lucro reportado. A WEG gera receitas em dólar, euro e outras moedas, mas reporta em real. Uma moeda forte brasileira pode mascarar um desempenho operacional sólido.
Perguntas Frequentes
Por que a WEG está sendo impactada pela alta do real?
A alta do real reduz o valor em reais das receitas geradas no exterior, o que diminui o crescimento reportado da companhia, mesmo com demanda externa positiva.
Qual foi o lucro da WEG no 2º trimestre?
O lucro líquido foi de R$1,56 bilhão, queda de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Quanto a WEG investirá em 2025?
A companhia reafirmou investimentos de R$3,54 bilhões em ativos imobilizados e R$22,4 milhões em ativos intangíveis.
As tarifas dos EUA afetam a WEG?
Segundo o vice-presidente André Rodrigues, é difícil estimar o impacto de longo prazo, mas as tarifas podem afetar a margem consolidada do grupo caso sejam mantidas.
Como as ações da WEG reagiram aos resultados?
As ações caíram 3,55% na quinta-feira, a R$45,09, após fecharem o pregão anterior com alta de 10%.
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