Estratégias automatizadas: 3 erros que o investidor precisa evitar
Investir em estratégias automatizadas exige mais do que olhar para a rentabilidade recente. Felipe Perigolo, analista técnico CNPI-T e sócio da XP, aponta três erros frequentes que podem comprometer os resultados.
Quando olhamos para uma estratégia automatizada que teve ótimo desempenho nos últimos meses, a tentação de investir é grande. Mas escolher um modelo apenas pelo resultado recente é um erro que muitos investidores cometem.
Felipe Perigolo, analista técnico CNPI-T e sócio da XP, concedeu uma entrevista ao InfoMoney na Expert XP 2026 e listou três erros que o investidor precisa evitar ao contratar estratégias automatizadas: analisar apenas uma janela curta de rentabilidade, concentrar recursos em poucos modelos e ignorar os produtos e ciclos de mercado aos quais cada estratégia está exposta.
O perigo de olhar só para os últimos meses
O primeiro erro aparece quando o investidor escolhe uma estratégia apenas pelos resultados dos últimos dois ou três meses. Para Perigolo, esse recorte é insuficiente porque deixa de lado o histórico completo do modelo. "As pessoas tendem a investir naquilo que está subindo, naquilo que está indo muito bem no curto prazo e esquece de ver o passado", alerta.
A rentabilidade de uma janela curta mostra apenas parte da trajetória da estratégia automatizada. Antes de decidir, o investidor precisa ampliar o horizonte observado e avaliar todo o histórico disponível.
Concentrar recursos em poucos modelos
O segundo erro consiste em concentrar os recursos em apenas uma ou duas estratégias. Embora os nomes possam ser diferentes, uma carteira pequena oferece menos possibilidades de combinar modelos com comportamentos distintos de mercado.
Perigolo defende ampliar a diversificação como uma forma de agregar valor ao investimento feito por meio de estratégias automatizadas. "O legal é ter uma diversificação de estratégias. Então isso é uma ponte muito interessante para agregar valor ao seu investimento", sustenta.
Ignorar produtos e ciclos de mercado
O terceiro erro ocorre quando o investidor não verifica em quais produtos está alocado e em que tipo de mercado cada estratégia busca resultado. Na prática, duas ou três alternativas podem ser voltadas apenas ao mercado de tendência. Nesse caso, o número de estratégias aumenta, mas a carteira continua dependente da mesma condição.
Perigolo diferencia os modelos que procuram capturar movimentos de alta ou de baixa daqueles que operam em mercado lateral. "Você deixa de usufruir de uma estratégia boa que opera a lateralidade, que acontece a maior parte do tempo", explica.
Uma carteira diversificada precisa combinar, por exemplo, estratégias de tendência e de mercado lateral, sem concentrar a alocação em modelos correlacionados. "Então essa diversificação inteligente em vários ciclos de mercado também faz muito sentido. Você ter estratégias que elas não são correlacionadas. Dessa forma você consegue agregar muito mais valor aos seus investimentos", destaca.
Perguntas Frequentes
Qual o principal erro ao contratar estratégias automatizadas?
Segundo Felipe Perigolo, o erro mais comum é analisar apenas uma janela curta de rentabilidade, como os últimos dois ou três meses, ignorando o histórico completo do modelo.
Por que não concentrar recursos em poucas estratégias?
Concentrar em uma ou duas estratégias reduz as possibilidades de combinar modelos com comportamentos distintos, tornando a carteira menos diversificada.
Como saber se uma estratégia é para mercado de tendência ou lateral?
É preciso verificar em quais produtos a estratégia está alocada e que tipo de movimento ela busca capturar. Modelos de tendência operam alta ou baixa; os de lateralidade atuam em mercados sem direção definida.
O que fazer para diversificar com estratégias automatizadas?
Combine estratégias de tendência com as de mercado lateral, garantindo que não sejam correlacionadas, para agregar mais valor aos investimentos.